sexta-feira, novembro 11, 2005

APENAS UMA FOTO!


Uma espiral de sentimentos desenrola-se em mim.
Tempestade de palavras anónimas, desregradas,
Funcionando como mola, como travão: um sem-fim…
Baralhando minhas emoções e pulsões inventadas.


As tuas palavras ditas, as indizíveis para mim,
Não passam de fragmentos de frases empolgadas
Entre quereres, ódios, raivas e pétalas de rosa carmim…
Que dás, tiras, iludes, brincas em banais jogadas…


Cara sem cara, só olhos, num turbilhão de imagens
Fingindo, iludindo, dando colorido às mensagens
E quem és? O que és? Apenas alguém que amei…


Jogador sem trunfos. Ilusionista de fantasias,
Jogando cartadas de palavras agrestes e frias,
Banalizando a amizade e o amor que te dei….
09.11.05

quarta-feira, novembro 09, 2005

HOMBRE!



















La hora blanca de la alborada;
En una cualquier ciudad,
el hombre empezó su revolución.
El hombre quiere su verdad.
¿Que buscas con eso? amor?
¿Así haces revolución?
¿Que haces desnudado en la Plaza?
¿Decir que tus derechos tienen valor?…
No eres necesario sublevación…
No necesito que me convenzas...
Puedes tener un otro amor…

07.11.05

domingo, novembro 06, 2005

IMAGEM OUTONAL


Entre musgos e ramos secos, divinamente outonal
Deixei meus olhos perdidos no pensamento
E com os lábios expectantes num pulsar colossal
Esperarei por ti, toda sonho e encantamento…


Estática, como uma rocha granítica no areal,
Esqueci todas as dores e o imenso tormento
Que foi o não saber se seria para ti o ideal…
Ou fora apenas usada, para teu esquecimento.


Amar-te com tanta incerteza tem sido belo
Muito embora um desgaste, um flagelo,
Mas que me leva a amar incondicionalmente…


E ficarei assim, na expectativa constante
Até quando vieres dizer, todo vibrante,
Que sou para ti quem querias realmente…

06.11.05

sábado, novembro 05, 2005

UM POEMA DE ADEUS


Cansei-me desta solidão e vencida,
Vesti-me de negro e tão só, esperei.
Olhei sem olhar o caminho da partida,
Triste, em despedida, não mais te verei…


Meu amor traído e a ternura preterida…
Não recordarei mais o amor que te dei,
Nem imaginarei que seria a tua querida…
Uma única verdade: Só a ti eu amei…


De negro vestida, por ti vou morrer.
Cansei de uma vida de tanto sofrer…
Esperar em vão o que só foi ilusão…


E enquanto nos seus braços vais viver,
Eu triste, solitária, apenas vou morrer,
Por nunca teres entendido esta paixão…


03.11.05

segunda-feira, outubro 31, 2005

FRAGILIDADES


Só, inconsolável, insegura, fragilizada, rejeitada, despeitada, que mulher és tu, que afugentas todas as dores num cigarro?...

Muito ocupada, muito estudiosa, observadora dos problemas que atormentam a sociedade, pronta a dar a mão aos inseguros (escondendo as suas inseguranças), que mulher és tu?

Apenas mulher! Apenas aquela que espera (sem esperança) amar e ser amada, ser forte, ser ídolo… ser apenas mulher…

Aquela que dá força (sem a ter), aquela que ri (chorando torrentes de lágrimas), aquela que tudo desculpa (sem se preocupar em sarar as feridas que lhe doem).

E isto é ser mulher. É ser a fumadora que se critica e castiga, porque não se olha para tudo o que o cigarro na sua boca está escondendo…

sábado, outubro 29, 2005

ESTA TARDE



Atrevidos, sorridentes, brilhantes, surgiram os primeiros raios de sol a meio desta tarde outonal, depois de umas chuvadas bem fortes…

E com a alma em alvoroço, deixo que os olhos passeiem pela paisagem, verdejante, do Monte Gordo, mesmo em frente da minha janela de trabalho.

É hoje! Coragem!

Sim, não vou perder outra oportunidade. Hoje tenho de dizer o que me vai na alma. Vou ganhar coragem e vou dizer o que sinto, o que penso e se tiver coragem de dizer tudo isto, direi o que espero…

Depois de muitas leituras, livros e livros aos montes ao redor da minha mesa de trabalho, apontamentos manuscritos entrelaçados com folhas e folhas, onde vou escrevendo textos e poesias, estão todos os resumos de Antropologia, Sociologia, Psicologia, Psicogerontologia…enfim! É hoje que vou decidir se farei ou não o trabalho sobre o tema que me apaixonou há uns anos e que, por inúmeras razões, tem estado em “standby”.

Mas na vida temos sempre de usar um “mas”. Um “mas” que condiciona tudo e todos os actos aos quais nos queiramos entregar. Uma limitação que ora é física ora psicológica e eu, nada de excepções à regra, balanceio-me ora entre uma outra, ora entre outra das limitações que me inibe qualquer vontade de progredir no meu trabalho, deixando de investigar, parando de escrever e apenas escrevinhar poemas ao acaso, ou escritos mórbidos, que deixam ver o meu estado interior… toda a minha insegurança, toda a minha fragilidade, toda a incerteza que me rege…

Trocando impressões com uma colega, chegámos à conclusão que amores inconsequentes deixaram mácula e nunca tiveram tratamento…e dizia ela com muita graça, que não há nada como um novo amor, para apagar a frustração de um amor não resolvido… mas isso será assim?... E quem me afirmará que não vivo mesmo esse tipo de situação? Se descobrisse…então o meu trabalho continuaria. Teria a quem o dedicar e quem sabe, a quem segredar doces palavras, dessas que andam por aí avulso, no que vou escrevendo, para colmatar lacunas…



28.10.05

domingo, outubro 23, 2005

INCONFIDÊNCIAS…



Muito lentamente, percorri os caminhos estreitos do lugar de repouso de corpos e almas.

Muito lentamente procurei o rectângulo de mármore, gasto pela erosão de muitas chuvadas, sol ardente e ventanias, neste vale de repouso.

Muito lentamente encaminhei-me para a placa com aquele nome, descolorido, mas bem definido, esculpido na pedra fria, agora aquecida pelo sol do princípio da tarde.

Muito lentamente sentei-me na borda de mármore quente, olhando nos olhos da foto já esbatida, num esmalte que fora já castanho…

Muito lentamente juntei meu corpo à laje quente, chamei pelo nome e deixei que esse sopro morno me acariciasse as orelhas, num profundo palavreado, de dizeres indizíveis, que são sempre as mais belas palavras de amor…

Muito lentamente senti que ternas mãos deslizavam pelo meu pescoço, numa terna carícia, deixando-me relaxada e deleitada; deixando que toda a tensão da revolta que me invadia, se fosse esvaindo, como que um desmaio suave me fosse invadindo…

Muito lentamente, acariciei a pedra sepulcral, como se fora o corpo desejado sob o meu, tendo o sol como testemunha de um inolvidável momento de amor…

Muito lentamente, os mais doces lábios roçaram os meus, sugando-os com doces beijos, num encantamento indescritível… beijando-me as mãos, os pés, as coxas… um todo de afagos carinhosos intraduzíveis…

Muito lentamente, toda a convulsão de um prazer indescritível me ia abalando, me ia transportando a um êxtase jamais sentido.

Muito lentamente, muito docemente, muito suavemente, penetrando em meu ser, todo entregue, todo deliciado por minhas ternuras. Todo o mundo parou para ouvir nosso arfar…

Muito lentamente, a libelinha poisou sobre as flores do jarrão de mármore. As flores também descoloridas, apenas eram lugar de poiso para os insectos ou passaritos que por ali andavam e que paravam para espreitar o nosso momento…

Muito lentamente, os sussurros cruzaram-se, como gemidos de aves nocturnas e momento a momento, com mais intensidade, com uma força vulcânica, soltei um grito. Um misto de prazer e angústia. Um grito de dupla satisfação que se cruzou com o que em desabafo do interior repetia “amo-te! … amo-te!”

Muito lentamente, fui perdendo as forças que me uniam àquela laje gasta pelas intempéries, mas que me dera o que ficará para a eternidade, depois dos momentos mais intensos que até então vivera…

Muito lentamente recompus a roupa. Muito lentamente voltei a sentar-me na ponta da pedra tumular. Muito lentamente acariciei todo aquele mármore liso e descorado pela erosão e levantei-me.

Muito lentamente, olhei o azul pálido, pela luz do sol, daquele céu que nos servia de coberta… e agradeci uma vez mais, a meia voz, como havia gostado daquele momento.

Muito lentamente, deixei que entre um suspiro de espanto e um de plenitude, me saísse da boca a verdade que me havia sido vedada toda a vida: realmente fizera amor!

domingo, outubro 16, 2005

EU SABIA!


Eu sabia! Eu sabia desde sempre. Eu sabia que era um mito. Eu sabia que nunca seria mais do que uma aragem na terra do nada, para além das dunas. Eu sabia que mais dia menos dia, nada significava e que seria apenas um sopro de raiva a juntar a outras raivas.

Olhei as linhas do comboio. Chamaram-me mas não atendi. Ignorei o chamamento mais uma vez… Jamais quereria ser o fulcro das atenções como se fosse a protagonista de um filme de terror… Há formas subtis de auto eliminação… Aí não haverá mais pesadelos, nem recordações……

Eu sabia que não era, nem sou, nem serei o que queria ser. Cheguei sempre tarde, se alguma vez cheguei a alguma parte… Até para amar há uma hora certa!

Isto são notas. Não mais o poema da saudade… Esse parte comigo… parte dentro de mim… sendo eu própria…

Eu sabia desde sempre, que apenas iria escrever frases soltas… palavras ao vento, como as folhas secas que rolam estrada fora, Outono dentro… Eu sabia que o medo é controlador da acção…

Eu sabia que os anos nos tiram a possibilidade de dizer “eu quero”, que nos impedem de sentir, de mostrar o que se sente, de escolher um momento feliz… de viver…

Eu sabia que sempre fora proibido dizer sim, simultaneamente ao coração e à obrigação…

Eu sabia que todos os nomes sussurrados, em nada tinham a ver comigo. Eu sabia que eram nomes, apenas nomes… Os nomes deles…as músicas para eles…a ternura para eles… Sempre os outros! Nunca eu!

Eu sabia, eu sabia… mas queria… queria saber como se pode ser alegre, estar sem stress, estar bem com tudo e com todos…mas também sabia e desde sempre soubera… que nada é compatível com nada… e as emoções, as pulsões, as impulsividades tiveram de ser contidas e amolgadas, para serem jogadas ao vento… fingindo que nada disso existe… apenas existe o último dia, como solução para todas as situações…

Eu sabia que nunca cheguei a estar naquele lugar àquela hora. Eu sabia que era a minha fantasia que me fazia acreditar no que não era; afinal eu sabia que não era mesmo…

Eu sabia que aqueles olhos que me olharam com ternura, não eram os olhos que me estavam a olhar, eram os olhos que eu queria que me olhassem…e eu sabia… e eu sabia que aqueles lábios que me tocavam, não era a mim que tocavam… eu sabia que não era nada… mas sabia apenas que queria sentir algo a que pensava ter direito… sem qualquer tipo de direitos… eu sabia que não era nada!

Eu sabia que naquela curva da estrada, havia de estar a sombra gigantesca daquela árvore, não menos gigantesca, que abraçava o meu sonho de amor…aquele Cipreste abraçou o meu amor, absorveu-lhe os beijos, percorreu-lhe o sangue e eu sabia que dentro daquela sombra, eu não cabia…

E eu sabia…sabia tudo! Sabia o que nunca quis saber, mas sabia e por muito que se tentasse procurar que eu não soubesse… apenas a morte podia esconder…e como um sopro de vento bailando entre a folhagem a amarelecer... vai encontrar-me e vai-me ter…

segunda-feira, outubro 10, 2005

O ESCRITOR FAMOSO E OS ELOS DO PASSADO

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Levantei-me e dei passos à toa pelas veredas do jardim da minha infância. Voltei a olhar o baloiço e lentamente atravessei o jardim de todas as minhas recordações. Os meus passos ressoavam no saibro solto e por entre a folhagem da velha árvore, parecia-me ver os olhos de Helena a admirarem-me.


Em passos lentos dirigi-me à minha casa. Cruzei os arcos de pedra cansada pelos anos que seguravam as ogivas.

Entrei na sala e olhei os cadeirões forrados de tecido florido, onde minha mãe se sentava comigo, para conversas e às vezes reprimendas… Sentado naquele cadeirão à esquerda, perguntou-me minha mãe, com ar severo, o que havia estado a fazer com Helena, naquele dia em que nem percebi o quanto Helena significava…

Abri a janela. Olhei para fora e vi-me criança, de calções ainda, correndo para apanhar borboletas…

Atravessei o corredor e no meu quarto, apenas abri a janela, de onde vi a paisagem, que em nada mudou… Dei meia volta e fui sentar-me perto da varanda, com as vidraças abertas, respirando o ar fresco do arvoredo. Mas a imagem de uma Helena tão criança ainda, não deixava de saltitar na minha imaginação. Agora compreendo como sempre a amei… Helena! Helena!...

Os olhos meigos e serenos de Helena, foram ao longo da minha vida, a doce companhia da minha filantropia.


Abri a última gaveta da estante de meu pai, onde minha mãe foi guardando os meus papéis, como costumava dizer, os velhos cadernos escolares e entre muitos desses papéis lá estavam uns quadradinhos de papel com desenhos de flores e o nome de Helena no meio…

Depois da morte de meus pais, era a primeira vez que aqui estava, serenamente, para actualizar burocracias e para recordar a meninice que tantas saudades me deixava…

Olhei de novo ao meu redor e tentei reviver todos os momentos, para me localizar nesse passado distante e idealizar como estaria Helena, que deixara de dar notícias desde tempos indeterminados…

Passei horas e horas neste vai e vem, de divisão em divisão, e já à noitinha, o senhor Chico veio trazer-me uma sopa ainda a fumegar e um naco do bom chouriço de seu fabrico e umas fatias de pão, para aconchegar o estômago.

Tagarela o bom velho Chico, que me conhecera miúdo, com poucos anos de diferença dele, pois que quando nasci a mãe dele trabalhava cá em casa e ele era muito criança…chegámos a chutar a bola nas traseiras, quando regressava da escola. Mas a tagarelice do bom Chico deu para me preencher as lacunas de memória e para me dar algumas novidades que desconhecia.

Também tinha na mão um pacote de correspondência que havia junto, para me entregar, quando me voltasse a ver.

Cartas! Uma infinidade delas, para meus pais. Publicidades e postais de amigos que haviam partido para o estrangeiro durante a minha ausência e de quem não ouvira mais nada… Mas! Surpresa, aquela carta pareceu-me estranha…de uma Helena Portier…para mim…

Abri sofregamente, sem dar ouvidos ao Chico, que a sopa arrefecia, e comecei a ler. Helena! Minha doce Helena! A carta havia sido escrita há mais de três meses e participava o falecimento do marido, bem como a sua vinda à nossa terra, pois que voltava para expor as suas pinturas na capital.

Beijei as faces do Chico, tisnadas pelo sol, e saltei, mesmo esquecendo que já me queixo muitas vezes de dores reumáticas… Helena ia voltar! E pelas datas, faltavam apenas dois dias para ter possibilidade de a rever… nem havia tempo de fazer projectos… mas ia voltar a ver Helena!

domingo, outubro 09, 2005

LAIVOS DE PENSAMENTO


Acinzentada a manhã deste sábado, deixa-me numa angústia sem explicação e a instabilidade emocional instalou-se como se fizesse parte de mim. Pergunto-me porquê toda esta inconsistência emocional, quando nada me devia induzir a um tal estado, depois de me ter decidido a que qualquer sentimento que me entristecesse, seria banido impiedosamente.

Esta introdução tanto poderia ser mais uma folha do meu Diário, como uma das minhas cartas à minha amiga que amanhã completará mais um mês de ausência do meu convívio…

Quando aquele raio se sol entrou pela sala, reflectindo-se em mim e depois se refractou ao meu redor, idealizei o mais belo sonho de amor, que não ousara sonhar antes…

Conforme escrevi em outras épocas, escreverei hoje, que a desilusão é o meu dilema…Sempre sonhei. Creio que sempre sonharei… um rosto liso, uma boca doce…uns sentimentos nobres e muito sinceros…e sobretudo muito amor…

Mas o sol voltou a esconder-se e tudo escureceu…tudo não passou de ilusão. Tudo não foi mais do que fruto da minha imaginação…

E que imaginação!…

As cores definidas pela luz do sol esbateram-se e do cinzento que me rodeia, apenas umas sombras mal definidas se acentuam ao longe…aquela saudade…a saudade de quem nunca me iludiria, se a grande sombra do fim não a tivesse levado para o infinito espaço do pensamento…

As pessoas importantes partem…ou mudam de residência… partem sempre para não voltar… e a saudade fica para nos mortificar…

Que maravilhoso seria fechar os olhos e voltar a escutar uma frase que me emocionava sempre…”como gosto de ti…” como não houvera de ter saudade de tanta sinceridade…de tão puro e simples mostrar que tinha um significado, que existia para o pensamento de alguém…Como seria maravilhoso dobrar a esquina daquela rua e sentir que me pegavam na mão e um beijo doce era a despedida, para quando não sabia quando, nos veríamos de novo…que belos anos quinze de uma bela adolescência, cheia de poesia e ideais…que nunca viriam a existir…

Amigos do além! Quereis ao menos uma vez transmitir aos amigos do aquém quão carente me sinto de belos momentos, momentos só meus, só para mim, sem interferência dos vossos outros amigos…como faziam…Quão importante seria que os amigos do aquém aprendessem a dizer quanto me amam, como me amavam vós… quanto mostravam que precisavam de mim…mas transmitam também, que não devem partir, para que não fique ainda mais só…

Agora, envolta neste cinzento, apenas revivo uma saudade que cresce a cada tentativa de encontrar o lado de lá do monte, num dia solarento…

São palavras…apenas palavras de mais um dos meus escritos em louvor de uma saudade imensa, sem que nada nem ninguém tenha conseguido ainda esbatê-la do meu ser…São laivos do meu pensamento são tiras de uma demência que vai globalizando todo o meu ser…São mutilações ao Id, que o superego provoca sem solucionar as consequências…

08.10.05

quinta-feira, outubro 06, 2005

AQUELA ROSA


Guardei naquela caixinha, uma rosa ressequida,
Para me recordar dela, quando sinto saudade.
Guardo-a ainda que seca e envelhecida…
Porque ma deram quando sonhava com verdade…

Foi uma farsa, uma fantasia de amor, esquecida,
Que me marcou sem piedade, para a eternidade,
Pois que ele o “ele” eleito, deixou-me tão ferida…
Fez-me sentir para sempre, mera casualidade…

Flores de outros canteiros, seus amores preferidos,
Nada eram como o eu, eles eram os seus queridos…
E se não tivesse morrido esta alma solitária,

Teria amado para sempre aquela rosa viçosa,
Que deixei secar na caixinha e saudosa…
Vai lembrar a vida inteira esta alma solitária…


05.10.05

terça-feira, outubro 04, 2005

BEIJO!



Envolta na bruma do sonho ideal,
Cheia de ilusões e o corpo a pulsar,
Deixo envolver-me num todo irreal,
Que é a tua estranha forma de amar…

Deixo que o olhar brinque, teatral,
Para depois, sempre hesitante, te chamar…
Escondendo sempre esta tristeza sem igual,
Sempre, pela tua estranha forma de amar…

E mãos e corpos fortemente abraçados,
Suspiramos como que apaixonados,
Esperando conseguir esquecer o passado…

E pensamentos, em uníssono e ligados,
Não passamos de meros enamorados,
De sonhos e de tudo o que nos foi vedado….

03.10.05

segunda-feira, outubro 03, 2005

LOUVOR AO FADO!


Famintas almas de gentes,
Venho dar-vos de comer:
Uma poesia de amor
Um cravo de liberdade,
Muitos versos de saber,
Um pouco de alegria e cor…
De tudo, menos verdade!
De renúncia, de hipocrisia…
Muito perdão pelo que mentes
Condescendência por me esqueceres,
Um prato de fantasia…

De tristeza, nem falarei
Porque a fome já é triste
E com esta minha poesia,
A fome não matarei,
Porque ela sempre persiste…

Mas dar-vos poemas a ler,
É tudo o que posso dar
Já que seu amor não terei,
Nem nunca irei saber
A quem está a amar…
Dou-vos palavras, somente…
Porque vos quero a lutar,
Por tudo o que há de valor:
Vontade de conhecer,
Um sorriso permanente,
Uma boca para beijar
E sempre, sempre Amor!

02.10.05

domingo, outubro 02, 2005

20H21 – Figueira da Foz 07.09.05



Horas que passam num tempo que parou dentro de mim. Horas que esperam por outras horas, sem que nas horas presentes, ou nas horas que hão-de vir, eu possa saber o que vai dentro de todas essas horas.

De entre o barulho ensurdecedor que me rodeia, sentada à mesa deste café, sinto o peso de um silêncio mortificante. As notícias são devastadoras: incêndio, morte agressiva de uma criança de seis anos…e toda a reportagem relacionada com a horrenda tempestade nos E.U.. E tudo baila na minha mente, como se fora dentro de mim que se desenrola toda a tormenta e o silêncio sepulcral com que me presenteias é mais do que o indício de que tudo em nada resultou. Tudo continuou, sem diferenças. Perdi! A verdade é que nada é consistente quando se parte da consequência para a causa e se a causa não tem razão de existir, então a consequência é vã.

E mais horas serão horas em que, prisioneira do silêncio e da angústia, a dúvida do que não oiço vai persistindo… E que quereria eu ouvir? O que já sei: que todas as horas foram belas, as que passaste. Que de prazer em prazer, me esqueceste. Que fui preterida em prol do que quero desconhecer, mas que sei existir. Num tempo que lentamente passa, sem hesitações e repleto de negações, que me preenchem hora a hora, sem passado, futuro ou vestígios para além das cinzas que de mim sobrarem.

Se pelo menos uma vez, se pelo menos num breve respirar fundo pudesse ter ouvido dizeres que me amas… se pudesse reviver o doce beijar que idealizei…se não tivesse o medo que tenho de ouvir essa verdade… se não existissem esses amores ofuscantes pelos que te absorvem os pensamentos e os desejos…se tudo isso que me amofina a alma deixasse de me acorrentar à saudade esmagadora dos meus dias…nem ouviria o barulho ensurdecedor que paira em meu redor, enquanto escrevo e tomo este café…

sábado, outubro 01, 2005

O DIA SEGUINTE


A porta bateu com estrondo. A janela não voltou a abrir-se e um silêncio sepulcral passou a reinar no patamar primeiro do prédio mais alto daquela rua.

O Sol zangou-se e escondeu-se atrás de um manto espesso de nuvens cinzentas. Não voltou a brilhar e passou a ser sempre Inverno…

Sempre que passo, apresso o passo para não se prolongar o arrepio que me sobe as costas… e a dor aguda que me trespassa o peito mais parece a de uma espada incandescente, pronta a ser batida por um qualquer ferreiro (que se calhar já nem existe algum…), e que queima todo o meu ser, deixando-o em brasa e depois em cinza, para que o vento sopre e a leve para o lugar deixado vazio, quando aquela porta bateu pela última vez.

A dor, aquela dor sem nome, é o meu dia a dia. É uma dor tão profunda, que não sei de onde vem, nem onde nasce. É a dor que consome, um a um, os meus momentos: A dor da solidão, a dor da saudade, a dor da nostalgia da recordação… e aquela porta não voltou a abrir-se… nem a janela deixou que o cortinado esvoaçasse, nem tão pouco deixou que uma daquelas melodias soasse como música de fundo…

A melancolia que invade todo o meu pensar é uma dor constante, que da alma passa ao corpo. É uma dor somática. É uma dor psíquica. É uma dor carregada de negatividade activa geradora de destrutividade… isso! Um caminho tortuoso para a auto-destruição.

A dor da renúncia sem adeus. A dor da troca sem um insignificante nada como adeus… a porta fechou-se deixando a dor avançar, sem beijos, sem ternuras…sem um simples olhar… só isso! E a dor que sinto é incomensurável porque sem porquês, não lhe resisto…

A dor da ausência domina a existência dos dias que passam sem passar… A dor da tristeza, a azul dor da morte que vive dentro de mim e dentro de mim vive, matando-me a cada minuto… desde que aquela porta bateu com estrondo e nunca mais se abriu…


30.09.05

terça-feira, setembro 27, 2005

NÃO SEI!



Não sei se a distância é tempo
Ou se o tempo é distância…
Não sei se o silêncio é tempo
Ou se o tempo é feito de silêncios…
Não sei o porquê desta ânsia…

Não sei se o meu tempo é real,
Não sei se o real é o meu tempo…
Não sei porquê esta distância é fatal…
Nem tão pouco porquê estes receios.
Não sei! Só sei que é meu pensamento…

Não sei se o amor é verdadeiro
Se é a tempo inteiro ou intemporal.
Não sei mesmo se és meu amor primeiro
Ou se apenas tenho sonhos e devaneios…
Não sei o porquê te fiz meu ideal…

23.09.05

sexta-feira, setembro 23, 2005

SUSPIRO !



Onde eu nasci, quero uns dizeres
para quando eu morrer e tu viveres,
passares naquela rua a recordar,
quem naquela janela nasceu para te amar.


Nas nuvens, nos campos, para veres,
estarão sempre inscritos esses dizeres
que na sombra ou nas ondas do mar
são para a eternidade, testemunho de t’amar.


O rodar do pião de uma criança,
Uma boneca embalada, foram esperança
Que nunca vi como realidade... ...


E todo o ciúme sentido e escondido
São provas eternas de um amor perdido
Que, sem resposta, apenas é saudade... ...

terça-feira, setembro 20, 2005

PRAIA DE ALMOGRAVE



As ondas desfaziam-se em tufos de espuma entre as rochas, que quais amantes apaixonados, se deixavam acariciar em turbilhões de carinhos.

Assim, extasiando ante estas vistas tão envolventes, passei uns dias, entre a agonia da saudade e o desespero da distância… mas voltei, e aqui de novo, admirando o meu Tejo passando lá em baixo, como um manto, e, levando os meus pensamentos, volto a escrever, envolta na saudade que não pára de deixar de viver dentro de mim….

Em cada onda daquele mar tão impulsivo fui vendo o desenrolar de sonhos que se iam desfazendo na areia, engolidos por uma sede imensa, como se quisessem que eu também me deixasse absorver e fosse desaparecendo naquela areia macia… e foi lá, que fui perdendo algumas ilusões que os sonhos tinham deixado…

Mas voltei! Voltei para ficar mais só do que partira. Voltei com os olhos naquelas ondas, que revoltas e imprevisíveis, como amores impossíveis, me prenderam aos seus encantos…

segunda-feira, setembro 12, 2005

DA MINHA JANELA VEJO…



Seis da manhã! E da varanda do meu compartimento de trabalho, onde tenho o computador, estantes com livros, a secretária de trabalho, os cavaletes e telas e ainda a passadeira para umas passadas de descontracção, vejo esta paisagem linda, com o Tejo a passar lá em baixo e o Monte Gordo a dar-me os bons dias…não digam que não sou sortuda… com esta paisagem, estou sempre inspirada pelas Tágides…
E com a ponte, que me deixa do outro lado da Lezíria, posso passear os olhos por uma imensidão verde a perder-se no horizonte. Lá ao fundo fica Porto Alto e quando o Sol brilha, manhã alta, vejo a saltitar de ramo em ramo muitos pássaros e de arbusto em arbusto os melros.
Quando o vento sopra forte, faz dançar os eucaliptos que estão frente à minha janela e um sibilar constante nos fios de alta tensão, por vezes deixa-me tensa e angustiada e vai daí, ponho-me a escrever…o que podeis ler, sempre que passo esses escritos para os Blog…
Espero que vos inspire esta paisagem…
11.09.05

domingo, setembro 11, 2005

MINHA ROSA PINK



Minha rosa adorada, minha flor de eleição
Meu sonho, meu desvario de amor.
Deixas minha alma em alucinação…
Deixas meu corpo em franco torpor…


Minha rosa “pink”, és a minha devoção.
És toda amor, loucura, paixão e dor,
És o afago carinhoso da minha ilusão…
És a beleza e do carinho o esplendor.


Deixa guardar-te no peito ansioso
Como dádiva de um ser todo amoroso
Que te tem noite e dia, como uma magia…


Que te beija e bebe o teu beijo fervoroso,
Que te dá um abraço terno e carinhoso
Que te põe na cama com toda a fantasia…



10.09.05

quinta-feira, agosto 25, 2005

PARA VÓS


Com este ramo de rosas, belas,
Venho dizer o meu obrigado
Aos que me criticam e apoiam
Aos que se emocionam e choram,
A quem amo, sem conhecer…
E com estas rosas singelas,
Vindas do meu amado,
Presenteio todos, com amizade
E a todos quero dizer
Louvando pela escrita, a verdade
Que jamais os irei esquecer.

O mau juízo está perdoado
E a bandeira da ambiguidade
Vou tentar ignorar
E vou continuar a escrever
Pelo Amor e Liberdade.

24.08.05

segunda-feira, agosto 15, 2005

ROSA DE HIROSHIMA




Recordei Ney Matogrosso cantando a Rosa de Hiroshima. É realmente um tema que ele canta com o sentimento que todos lhe conhecemos e que nos transporta a recordações da História, que nunca deveriam ter existido.

Mas a Humanidade anda cheia de rosas negras e inúteis, que vão destruindo por onde vão sendo plantadas. Funcionam como ervas daninhas e não como a mais bela flor do universo floral da flora do planeta Terra.

A minha rosa negra, porque também tenho uma “bela” rosa negra, ao ser plantada, pareceu ser a mais bela flor que iria ter no meu jardim, contudo, ao desabrochar, cresceu descomunalmente e foi fazendo sombra aos narcisos, túlipas, jacintos e nem a bela orquídea escapou à sombra que ia crescendo progressivamente, não respeitando o espaço das outras, não menos belas flores…

Mas o mais grave é que ao colhendo todos os nutrientes da terra e ao sol magnífico, também foi desenvolvendo os espinhos que rodeiam o seu caule e assim, nem a posso colher, para libertar as outras flores de toda aquela possessividade. Fiquei prisioneira de uma rosa, sem que sequer lhe possa tocar ou sentir o aroma.

15.08.05

sábado, agosto 13, 2005

UMA SESSÃO COM MAGDA



Magda entrou e sentou-se. O olhar era estranho, ausente e triste mas simultaneamente confuso. Parecia assustada. Nunca vira Magda entrar assim no meu consultório.

Pedi à Mafaldinha que deixasse um jarro de água e um copo na mesa de centro e saí da minha secretária e fui sentar-me perto de Magda, no sofá em L que tenho num dos cantos do consultório.

Magda abandonou as mãos no regaço e balbuciou palavras ininteligíveis… qualquer coisa como quero esquecer, não posso mais viver assim…

Ofereci-lhe água, deixei-a acender o cigarro habitual das sessões mais agitadas e proporcionei-lhe o silêncio que necessitava para arrumar as ideias ou talvez não; talvez apenas para escolher as palavras com que queria abordar o assunto que a deixava tão insegura.

Magda começou a falar, um pouco mais rapidamente do que o habitual, mas sem me olhar. Pareceu-me que estava indecisa se havia ou não de me contar… mas se o não fizesse, como poderia eu ajudá-la a superar o mau momento que se estava cruzando com ela?

Passara a primeira meia hora da sessão quando Magda pediu para acender um segundo cigarro e deixando-se de rodeios começou a relatar os factos que a estavam deixando tão instável.

Assim, Magda contou-me que passara mais um aniversário de seu casamento, dentro de um absoluto silêncio e de recusa de ver quem quer que fosse. Chorara todo o dia, de raiva, de revolta, de insegurança e de desespero, porque ao final de tanto tempo, nunca conseguira ultrapassar todas as dúvidas e ressentimentos que acumulara. Chegou a dizer-me que se detestava, porque não conseguia ter coragem de enfrentar todas as realidades que a estavam a agredir… o seu relacionamento sexual com o marido, ponto fulcral, era uma farsa. Uma nojenta farsa repetiu, com as lágrimas bailando à volta dos olhos. Levara décadas a sentir isso, e quando disse ao marido o que se passava, para tentar salvar o seu lar, ele apenas lhe disse que isso era assim mesmo…apenas podia dizer-lhe que procurasse um outro homem, que fizessem sexo para saber como era com outro. A única condição imposta seria contar-lhe tudo depois…

Magda soluçou…como poderia ela, sensível como era, fazer sexo com alguém, só por fazer… já o fazia em casa, quando era obrigada…

Magda levantou-se. Ainda mais agitada, encheu de novo o copo de água e acendeu o terceiro cigarro…havia passado uma hora de sessão…

Pedi-lhe que se acalmasse e desviei o tema da conversa para umas banalidades e falei-lhe de que o caso dela não era o único, uma vez que, infelizmente, muitos homens com idades compreendidas entre os cinquenta e os sessenta anos, devido a erros de educação e ignorância, não interpretavam os sentires das mulheres como coisa séria…

Magda voltou a sentar-se e depois de alisar as calças, recomeçou. Muito mais calma, mas mesmo assim a medo, revelou-me o que eu já havia equacionado através de dados anteriores… Magda conhecera alguém… mas o que não sabia, era o que Magda ia contar… e à medida que as palavras lhe iam saindo, como que ressaltando degraus, eu ia ficando mais preocupada…pensei que teria de ter uma conversa com o ídolo de Magda.

Magda revelou-me sentir-se profundamente atraída por um amigo da filha, jovem, mas mais velho do que esta e colega, que viera para estagiar numa matéria que estudaram no estrangeiro, onde se haviam conhecido. Contudo, os contornos do relacionamento eram deveras confusos, por todos os motivos que Magda me revelou. Não podia acrescentar muito mais, mas sugeri que Magda fosse viajar para reflectir se o que estava a tentar, estava de acordo com a sua maneira de pensar…voltaram as frustrações, as inseguranças e o choro descontrolado.

Duas horas! Felizmente que não tinha mais pacientes na sala de espera. Então ocorreu-me convidar Magda para sairmos do consultório e irmos até uma sala de chá, para que o ambiente se tornasse mais acolhedor e menos formal, de forma a fazê-la observar outro meio e sentir-se mais liberta do estado de tenção em que se encontrava.

Magda fez questão de ir ao “Bico Dourado”, explicando que era um lugar calmo, com música ambiente e que ao final da tarde poucas pessoas costumavam estar por lá e por isso poderia sentir-se mais à vontade. Acedi e depois de darmos umas voltas ao quarteirão, conseguimos estacionar.

Eram dezoito e trinta. A penumbra da sala, com um pianista a um dos cantos, sobre um estrado e tocando num piano de cauda, fez-me sentir como se estivesse a ver um filme. Magda dirigiu-se para o canto oposto, para a mesa que me pareceu ser a costumada. Mas como estivesse ocupada por dois homens, ficámos numa outra perto, tendo os dois indivíduos de costas para nós. Magda ficou agitada, mas sentou-se.

Passados alguns minutos, depois de termos feito o nosso pedido de um chá verde, começámos a falar da decoração da sala, por sinal muito original, quando Magda me chamou a atenção para os carinhos entre os dois senhores que estavam na tal mesa, aliás, mesa que costumava ser ocupada por Magda e pelo tal colega da filha, quando ao fim da tarde se juntavam para conversar, segundo me revelou. Quando um dos jovens se levantou e ficou de perfil, Magda empalideceu, e começaram a correr-lhe duas grossas lágrimas pela face. Peguei-lhe na mão e acalmei-a, tentando saber o que se estava a passar.

Quando ele cruzou a nossa mesa, dirigindo-se aos lavabos, baixou-se e beijou-a com um simpático olá, mas sem dar oportunidade para apresentações, e seguiu. Então estava tudo explicado!

Chorou-me a alma, porque vi Magda numa situação muito semelhante àquela que havia tido aquando ainda estudante, mas que felizmente nunca deixáramos de ser amigos…em tudo!

A minha dificuldade era fazer Magda compreender e aceitar o jovem, tal como ele era e que deveria apoiá-lo e não tecer críticas ou depreciá-lo. Se o amava como acabara de revelar, isso em nada prejudicaria um sentimento tão nobre. Não podia ver as coisas como em décadas anteriores, em que os tabus e o desconhecimento levavam a que as pessoas banissem do seu relacionamento os que eram menos iguais.

Sem ter pensado qual seria o rumo da conversa, comecei a “dar uma aula”, explicando o que a natureza pode fazer, sem que nós possamos interferir. Tentei fazê-la entender que o facto de se ser assim ou de outra maneira, não somos nós que o queremos, mas sim fruto de consequências genéticas, do desenvolvimento e do ambiente em que se desenrola todo o crescimento do ser humano.

Magda olhava-me incrédula, mas ia abanando a cabeça e acabou por revelar que já se havia envolvido com o jovem arquitecto em intimidades e era isso que a estava a importunar. Não aceitava que ele fizesse aquela duplicidade de actuações.

Uma vez mais tentei explicar a Magda que o seu caso não era o único e nem por isso as pessoas deixavam de ser felizes. Ou aceitava ou rejeitava, mas deveria pensar bem, porque ela própria poderia estar a exercer um papel de equilíbrio e não era justo pensar de outra forma, apenas com um alerta: a saúde de ambos.

Magda olhou o relógio e disse que tinha de regressar a casa. Levei-a à porta, onde já havia ido por diversas vezes em outras consultas, logo pelos primeiros meses em que iniciáramos as sessões.

Pedi a Magda que voltasse ao consultório dois dias depois. Tinha de estudar alguns detalhes, porque Magda estava muito agitada e podia reiniciar a depressão que estava tratando há meses.
2005, August

quinta-feira, agosto 11, 2005

11 DE AGOSTO!



Vou perpetuar esta data!

Nunca esquecerei o sol quente que brilhava como o mais puro diamante, naquela manhã de onze de Agosto.

Nunca esquecerei como era azul o céu nem como era azul o fato que vestias. Azul, de um azul que ficou gravado nos meus olhos.

Nunca esquecerei os teus olhos tão castanhos, tão intensos, nem tão pouco esquecerei o sorriso bondoso e atraente.

Nunca esquecerei a gentileza da palavra. Nunca esquecerei o gesto delicado. Nunca esquecerei o nunca ter esquecido um tão belo momento…

Nunca esquecerei que iniciei a mais bela etapa de sonho, de romance, de ilusão, … de agonia e tristeza que foi envolvendo toda esta existência, porque um dia passaste a ponte e deixaste de existir…

Nunca esquecerei as lições de História Universal pelo telefone… nem a explicação das equações…

Nunca esquecerei “La vie en Rose”…como a cantavas!… nem “Quand tu me parles au telefone”… ou a “Petite fleur”…

Nunca esquecerei a “Valsa da Meia Noite”… ou o “Bolero de Ravel”. Nunca esquecerei as dissertações sobre a mentira ou como é o amor… como me alertavas para a farsa dos homens em relação às mulheres… (contaste detalhes sobre Henrique VIII, que só mais tarde, quando estudei a História de Inglaterra em Inglês é que vim a constatar que não eram historias tuas) e foste a primeira pessoa que me chamou a atenção dos falsos homens. Eras fenomenal! Sem mentira, sempre pronto e apto a dar-me respostas às múltiplas perguntas.

Nunca esquecerei que foste a pessoa que me achou a pessoa mais importante do planeta, que adoçou os meus dias e que um dia me disse que sempre que visse uma chama ardendo, eras tu, para me guardares… e sempre que o vento ululasse pelos montes, seriam as tuas canções para me tirar os medos… como posso esquecer tudo isso?

E hoje, quarenta e sete anos depois, vejo-te àquela esquina, esperando-me à saída do liceu… e vejo que mais ninguém esperou por mim, que me viram as costas quando estou só, que me insultam por esperar por nada… que fingem que me estimam e depois amassam-me como se fora um papel velho e sujo… como se até não existisse… ou melhor, que seria melhor não existir…

Nunca esquecerei das quimeras que fui criando em torno de “os quem” idealizei poderem ser semelhantes. Nunca esquecerei. Nunca esquecerei, nem por um minuto, que por milénios que viva, não há ninguém como tu… Nunca esquecerei que prometi contar-te sempre tudo, para me apoiares… mas como?

Nunca esquecerei que me secaste as lágrimas quando tudo e todos discordavam de mim…

Nunca esquecerei o teu nome: o nome mais lendário da Historia! Da minha história, que perpetuei como prometi…

11.08.05

quarta-feira, agosto 10, 2005

ROSA AMARELA



Rosa em botão
Flor do amor
Tão perfumada,
És tão bela!
És um sorriso
Na minha mão.
És o fervor,
Rosa afamada,
Rosa amarela…
És do Paraíso
Tens doçura,
Dás ternura.
Rosa em botão
A brotar no meu coração…




09.08.05

segunda-feira, agosto 08, 2005

FOI-SE O MEU GATO…




Ao fim da tarde, ao pôr-do-sol, enquanto fazia a minha caminhada, atravessei o parque da cidade e surpreendida vi o Ferrus com outro gato.

O Ferrus fingiu não me ver ou não reconheceu o meu cheiro… perdi o meu gato!

Na segunda volta ao parque, sempre na minha marcha, vi o Ferrus que baloiçava alegremente e nem um olhar… perdi o meu gato!

Há muito que via o Ferrus deleitado com aquele pardo que o acompanhava, mas nunca pensei que trocasse o meu doce carinho por um outro qualquer felino… sem graça, com uns bigodes mal semeados e possivelmente a cheirar a caça barata… e a outros gatos…

Mas o Ferrus era especial. Para mim, foi o gato dos meus sonhos. Mas eu não fui, de certeza, a dona que ele idealizou… Mas o meu gato foi-se… sem um adeus, sem uma última miadela...O Ferrus trocou-me pela rua, pelo gato pardo, pela liberdade que não lhe dei…

07.08.05

sábado, agosto 06, 2005

AMOR


Pintei um quadro a rigor
Para dar ao meu amado.
No meio escrevi Amor
Para o guardar emoldurado.

Amor, amor tão sentido
Amor cheirando a rosas
E por me ser tão querido
Quero-as belas e viçosas…

05.08.05

SENTIMENTAL JOURNEY


The big trees along the road were plenty of dark green leaves. The shadows were enormous ghosts running in front of the car… the last news told about a dangerous accident in this same road, near the village I have just crossed. Everything was running equally…

My thoughts were travelling in a high speed as well as my car… and I could not forget the reason why I was going to that place…

Some years ago I did the same trip for the first time… He was in that small town and I could not be without him any longer… but… I have not met him again… Only his spirit was there…

From that August on I travel to that place every year, to cry, to take him back to my life…

Only the trees and their shadows are the same …

05.08.05

sexta-feira, agosto 05, 2005

FERRUS



Da cor da ferrugem, o meu gato chamava-se Ferrus. Miava docemente e os olhos cor de avelã eram o meu deleite… mas Ferrus partiu. Deixou saudades e sobretudo um vazio sem dimensão…

Ferrus era especial. Lia os meus escritos no seu esconderijo nocturno e fazia comentários fabulosos… O meu Ferrus era o meu príncipe encantado…

Fui gravando em folhas de papel azul as palavras doces e profundas que me escrevia na calada da noite… e ia lendo ao nascer do sol, fazendo crescer um amor terno e cheio de mitos na minha imaginação…

Ferrus tinha hábitos estranhos, mas como os gatos dormem em média dezoito horas por dia, porque precisam desse repouso, nunca reclamei, mas sentia a falta do seu pelo macio e brilhante, quando não estava perto de mim. Ferrus, ao contrário dos outros felinos, não mordia, lambia-me as faces, os lábios e recolhia as garras para passar a pata pela minha cara.

A gataria dos arredores, por vezes, deixava-o excitado. Por essas alturas, o Ferrus fugia de mim como que para esconder a vergonha de ter estado sujando o pelo com os outros bichanos…

Mas Ferrus partiu. Não escreveu mais comentários às minhas histórias. Não deixou rasto. Apenas deixou saudade…

Vou recordar o Ferrus por toda a minha vida. O meu príncipe encantado, com o pelo cor de ferrugem e com o miar mais doce que já ouvi.

04.08.05

sexta-feira, julho 22, 2005

QUADRAS SOLTAS AOS TEUS OLHOS


Certo dia ouvi gritar
Que havia uns olhos tão sós
Então não resisti, fui olhar,
Mas só vi dois noitibós…

Duas estrelas a cintilar
Com um brilho de candura,
São esses olhos a olhar,
Numa constante procura…

São dois grandes diamantes
Fixos. Sempre a brilhar.
Mesmo quando estão distantes,
Só há olhos para me olhar…

Noite e dia bem guardados,
Esses teus olhos tão brilhantes,
Quero-os nos meus bem gravados
Com brilho de diamantes.

Esses olhos, sempre a sorrir
Estão sempre presos aos meus
Parecem rosas a florir,
Ou dois sonhos que são teus…

Esses olhos no meu pensamento,
Passaram a ser a minha dor.
Dia e noite são meu tormento,
Mas são para sempre o meu amor!

1960

quinta-feira, julho 21, 2005

ANDA UM ESCRITOR FAMOSO A PASSEAR DE BLOG EM BLOG…


Era um escritor famoso. Quando alguém com ambições na escrita se aproximava com a intenção de lhe deixar um manuscrito para que o lesse e avaliasse, ele respondia: não, muito obrigado!
… … …

Mas porquê?
Nada se passa sem que um porquê esteja a servir de pano de fundo…

… … …

Pois bem, a Mariazinha, mulher de uns quarenta anos, anafada e de faces sempre ruborizadas, muito atarefada nas suas lides domésticas após o regresso do escritório, onde trabalhava como ajudante de contabilidade, apaixonou-se pelo jovem paquete do escritório e porque ele era mesmo mais jovem, não disse nada, mas foi escrevendo e reescrevendo textozitos e poesias que ia guardando no fundo da gaveta das cópias das facturas pró-forma…

O mocetão despediu-se alguns anos depois, porque entretanto era estagiário num escritório de advogados, onde ficaria posteriormente, depois de ter o “canudo” na mão… e a Mariazinha, com a gaveta atulhada de manuscritos, resolveu empacotá-los e levá-los para casa, para chorar a reler a desdita do seu amor frustrado…

Nas férias do ano seguinte, uma prima da Madeira, que vinha dos Estados Unidos para matar saudades da família, deu por acaso com o pacote dos escritos da Mariazinha e vai de lê-los de fio a pavio e achou que eram uma obra de arte escrita…

Desculpando-se pela bisbilhotice, foi dizendo à Mariazinha que deveria publicar tudo aquilo, pois era um dó não serem lidos textos tão românticos… dignos de um qualquer bom escritor…

Ora aqui o nosso amigo escritor entra na história.

Reginaldo, homem famoso pela escrita, de livros publicados e premiados, vivia na mesma rua, uns quarteirões abaixo e era cliente do mesmo talho que a Mariazinha. Era conhecido pelo filantropo e poucos já o haviam ouvido a falar, pois era homem de poucas palavras…Depois ainda ficou mais acabrunhado e sempre com um “não” pronto a sair da sua boca, sempre que via um qualquer papel estendido em sua direcção…

Pois em conversa de balcão, enquanto esperavam ser aviados, a Mariazinha meteu conversa com o afamado escritor, pedindo-lhe um grande favor. Primeiro, o solicito cavalheiro, foi todo atenções e foi dizendo que estava ao dispor para o que fosse necessário…mal sabia que eram os escritos da Mariazinha…

Passados dois dias, de pacote debaixo do braço, a nossa heroína foi ter com o escritor e deu-lhe a sua preciosidade…

O Reginaldo, no sossego da sua casa leu algumas folhas e ficou triste. Como haveria ele de dizer àquela mulher de rosto bonacheirão que o que escrevera apenas poderia dizer respeito a um tal Francisco? Mas, encheu-se de coragem e deixou no talho um recadinho, dizendo que a Dona Mariazinha deveria ir falar com ele no Café da esquina, ao fim da tarde.

Meu dito e meu feito. À hora combinada, ambos sentados em frente a uma mesa redonda do dito café e com o embrulho dos papéis entre as duas chávenas de descafeinado, trocaram algumas simples palavras. A Mariazinha de agradecimentos múltiplos e ele, muito embuchado, dizia que ela deveria continuar a escrever, melhorando sempre, para poder vir a ser publicada a sua obra…

Mariazinha, gorducha, bonacheirona e de faces ruborizadas, percebeu logo o que o escritor queria dizer e agradecendo sempre, levantou-se e foi para casa.

Quando Reginaldo voltou ao talho uns dias depois, para comprar o seu bifezinho picado, recebeu a notícia da morte trágica de Mariazinha… Foi um duro golpe!

Pois a verdade é que aquela mulher, que vivera sempre de sonhos irrealizáveis, não resistira a mais um e pusera termo à vida vazia e desiludida, com uma dose de comprimidos para dormir, que vinha tomando desde que o seu apaixonado saíra lá do escritório.

O Reginaldo, escritor afamado, que também escrevera durante décadas e que também havia escondido a sua obra, nunca lhe passara pela cabeça que ao entrar na ribalta, havia de causar tamanho desgosto em alguém… por isso, a partir dessa data, nunca mais aceitou opinar fosse sobre o que fosse, escrito fosse por quem fosse…

20.07.05
NOTA: Texto enviado para o concurso referido no título

segunda-feira, julho 18, 2005

TODOS OS DIAS, NÓS! (crónica)

As notícias afectam-nos e não tanto...

Ora por qualquer canal de televisão, ora por qualquer estação de rádio, pela Internet, através de mensagens escritas (provenientes das mais diversas fontes), pelos jornais…enfim, a cada momento temos um manancial de informações e de notícias, das mais diversas, muito embora, sejam as notícias de assaltos e roubos ou crimes passionais, as que mais nos afectam emocionalmente…

As notícias são geralmente muito diversificadas: entre crimes, acidentes, catástrofes da mais diversa ordem: económicas, sociais, culturais, etc.. É um nunca mais acabar de assuntos que nos prendem a atenção. Mas, honestamente, temos de reconhecer que momentos passados, tudo está ultrapassado, exceptuando, quando repetidas vezes vem à baila a mesma notícia, e conseguimos manter o tema em memória…ou, quando algo nos toca por perto, como por exemplo os aumentos de impostos e tudo o que em sequência aumenta…

Mas a maioria das notícias e informações que nos chegam, passam tão rapidamente, que mesmo que as queiramos recordar, não conseguimos reconstitui-las de forma nenhuma e ainda bem, porque se por um lado poderíamos até ter benefício em conservar certos temas, por outro, amontoávamos de tal maneira os nossos centros de registo, que mal poderíamos pensar em nós próprios. Não obstante, a verdade é que cada um de nós pensa mais em si próprio, do que em tudo o que o rodeia… sobretudo em quem nos rodeia…

É verdade! Se alguém nos procura com um determinado tipo de problema e se estiver ao nosso alcance apoiar o solicitante, desfazemo-nos em teorias para apoiar o dito, sem que contudo estejamos a fazer algo de palpável, mas passamos por excelentes pessoas…sem nada ter feito…mas casos há, que se faz mesmo tudo o que é possível, mas de imediato somos esquecidos, como se nada tivesse acontecido…e isto não são notícias de jornais, de rádio ou televisão… são factos do quotidiano…

Mas como o Mundo não pára, dias após, somos nós que estamos em qualquer uma “encrenca” e tentamo-nos socorrer de um dos apoiados anteriormente…e vai daí…ocupadíssimos! Problemas de saúde…de carteira…de família… e o “enfermo” do momento, fica a olhar para a costa, para ver algum navio passar… e é assim: todos os dias!

Não somos mal agradecidos. Apenas somos egoístas! Apenas somos egocêntricos…apenas temos umas costelas mais “grossas” de narcisismo e chamam-nos excêntricos…

Escrevendo sobre um tema como este e tentando abordar a notícia que hoje mais me tocou (a partida de 380 passageiros para o México – Cancun - de férias, possivelmente não todos, mas a notícia não fez distinção) e que está relacionada com a terrível tempestade Emile. Ventos fortíssimos a varrerem tudo por onde passam… mesmo assim, os turistas que lá se encontravam, à volta de uns quatrocentos portugueses (de férias), nada sofreram, pois houve medidas imediatas para serem postos em lugares seguros. Ora bem, ainda há muita gente a viajar de férias, o que é bom sinal. Assim podemos estar descansados que, pelo menos estes de quem tomámos conhecimento, têm capacidade económica para viajar e passar férias em “paraísos” onde esquecem as agruras do seu próprio “paraíso”.

Na minha opinião, tantos turistas, não precisavam ir tão longe… se fossem à Madeira, tinham um paraíso, e sem vento… só com palavrões, mas estavam em família e em família tudo se desculpa.

18.07.05

sábado, julho 16, 2005

CATÁSTROFE!



Entrei numa órbita errada! Ziguezagueei sem um rumo definido. Choquei com todos os meteoritos e desfiz-me em mil pedaços…

Esta é exactamente a forma como me sinto: mil pedaços! Mil pedaços de alma, mil pedaços de sonhos à deriva, num espaço sem fim…e infinitamente sós e sem capacidade de se ligarem…

Mil tormentos padeci para o meu pensamento levitar entre sonhos e ilusões e em mil pedaços desfiz todas as minhas fantasias…

Escrevi para o infinito, muitas palavras, carregadas de beleza e expectativas, criando os mais belos sonhos de amor… as mais desastrosas desilusões e fui ficando só, esvoaçando, primeiro lentamente, depois veloz. Entrei em órbita. Na órbita errada…

A madrugada elevou-se e eu, qual punhado de quarks desintegrados, apenas sou poeiras negras, em qualquer monte, depois de um incêndio…

A tua voz ora silenciosa, ora melodia, preenchem toda esta desintegração, teimando mantê-la viva, mas o tempo é implacável… e o desamor é desapiedado… e eu amando, sonhando, transformei-me em cinzas, em terras queimadas…


16.07.05

quinta-feira, julho 14, 2005

FOI PERDIDA!



São vinte e três e cinquenta e cinco. Deixei o tempo e o espaço para deixar de ser: para ser nada!

Deixei que vencesse o vazio. Deixei que as sombras do nada toldassem a minha não existência e foi num todo, uma devastadora agonia até chegar até este momento. Foi uma derradeira tentativa que fiz e falhou. E não sei mais nada e não serei mais nada… nem um raio de luar, nem sequer um rasgo de esperança…. Perdi-me com um nada que destruiu o que me restava: a ilusão.

Amante terno que me encheu de carinhos, beijos ardentes por todo o corpo, palavras bonitas, suspiros profundos, ais…uis…nem sei…. E num instante, como uma luz que se apaga, numa profunda escuridão, acordei só, sem mais ilusões, sem mais desejos, sem absolutamente mais nada…

Foi sonho ou mentira, nem quero saber… foi uma auto ilusão do que possivelmente idealizava… E sem nada, apenas ficou o nada… um punhados de ossos desfeitos entre pequenos pedaços de roupas carcomidas por uns quilos de terra, que consumiram todos os meus ideais…

E agora, com esse olhar lânguido, bocejando, impaciente, vens tentar repor o que perdeste…

Durante as nossas vidas perdemos oportunidades que nunca mais se repetem… Perdeste a tua, quando atravessaste o Tejo e deixaste que a terra te consumisse, deixando-me expectante e arraigada a uma tristeza sem fim…


14.07.05

sexta-feira, julho 08, 2005

U.I.T.I.





A camaradagem entre professores e alunos é bem patente nestas fotos.
Mais um ano lectivo que se encerra, proporcionando trocas de conhecimentos inesquecíveis, culminando com a amizade entre uns e outros.
Bem hajam todos os meus alunos pela força que me foram dando durante o ano e a imensa vontade de continuar.
07.07.05

quinta-feira, julho 07, 2005

U.I.T.I. – FECHO DO ANO LECTIVO



















Num almoço convívio, juntaram-se muitos alunos e alguns colaboradores e professores da Universidade Internacional para Terceira Idade.
Houve camaradagem, alegria e foi possível verificar a alta auto-estima que caracteriza o grupo.

Algumas fotos, que mostram o decorrer do almoço

quarta-feira, julho 06, 2005

ÓLEO SOBRE TELA - ESTA TARDE


... ... ...
Enquanto a tarde foi passando,
nos braços de um qualquer ser,
apenas desejava, enquanto pintando,
que fosse quem estava a perecer...

quinta-feira, junho 30, 2005

DIVAGAÇÕES

O fumo sai muito hirto do cigarro que mantenho aceso no cinzeiro. Espreguiça-se e entra em espiral, perdendo-se no ar… Tem uma cor cinzento azulada e até parece inofensivo… e eu continuo a olhá-lo, fascinada, como se estivesse a ver o teu olhar a espraiar-se pelo monte acima, pintalgado de verdes, em terras desconhecidas… cheias de plantas silvestres… mas não vou fumar… apenas olho o fumo que deste cigarro se vai diluindo pela atmosfera…

O meu pensamento assim se vai esvaindo, como o do cigarro, numa imensa espiral de recordações bem presentes, que não sei bem se quero esquecer ou manter bem fixas.

Agora a cinza, cinzento-escuro, é um cilindro longo, estendida pelo cinzeiro, onde poisa o cigarro que acendi, para me recordar de ti… e não me esquecer do que um dia prometi…

E voltando ao meu pensamento, retomo a sequência da ambígua trivialidade que nos levou a um silêncio, que nenhum quer quebrar… cada um pensa ter as suas razões, o que não estará errado, se, cada um não quiser ver o lado do outro… muito embora reconheça que, quem cede é o mais inteligente…

Crê, até darei a primazia, para não te sentires culpado de uma nova confusão que estabeleceste, por não quereres ver as coisas à luz da razão… é inadmissível ir festejar com alguém que acaba de ofender a quem chamamos de amigo!

Até quem deveria estar ofendida e magoada era eu… mas não faz mal… só agimos dentro do prisma que pressupostamente nos afecta… compreendo… se me posicionasse nessa vertente, possivelmente agiria da mesma maneira…ou pior… porque gosto demasiado de mim para me mandarem indirectas de mexeriqueirices… mas que já esqueci… “vozes de burro não chegam ao Céu”, lá diz o ditado…

30.06.05

domingo, junho 26, 2005

DESAFIOS

Enquanto a água do duche escorria pelo meu corpo, deixando-me numa semi letargia, fechei os olhos e passou todo o quadro daquela noite no Mr. Pckuick.

… Entrámos. Uma obscuridade avermelhada envolvia o ambiente, rodeando-nos como se estivéssemos envolvidos numa nuvem cor-de-rosa escuro. Sentámo-nos a um canto da sala, enquanto o aprazível som das teclas de um piano, colocado no centro da sala, deixava que um pianista da noite fizesse ressoar o tema de Casa Blanca.

Quando segredaste qualquer coisa ao pianista, confesso que não gostei, mas quando os primeiros acordes da Fascinação ecoaram pela sala, que tinha as mesas quase todas ocupadas, senti-me levitar… e quando começaste a cantar-me ao ouvido o poema Fascination, elevei todo o meu espírito ao Universo, num pleno reconhecimento por tão belo e indescritível momento… Como foi belo!!!

Os teus lábios macios roçavam suavemente pelo lóbulo da minha orelha direita com tal doçura, que mais pareciam as penas das asas de um anjo… as tuas mãos apertavam as minhas, abandonadas no meu regaço, com uma suavidade tal, que pareciam tufos de veludos a acariciarem-me…que magnifica noite passámos…

Não sei quanto tempo estive debaixo do duche. Apenas sei que o sol ia alto quando saí do banheiro…

Quando se recordam fragmentos de pedaços da vida, que poderiam ter sido verdadeiros momentos inolvidáveis, sentimos renascer o desejo de revivê-los…mesmo a sonhar…

25.06.05

sábado, junho 25, 2005

DESISTI!

Os passos tornaram-se lentos. A incerteza dominou o pensamento e a tristeza passou a reinar como única realidade… A solidão é o reino onde habito… Desisti!

Os vagos sons que ainda oiço na distância, entre a existência e a inexistência, vão sumindo e como uma árvore seca num deserto imenso, apenas sou o poiso de pássaros perdidos, dos bandos emigrantes, que em pios de morte, se despedem dos que já não verão mais…

Lutei pelo desconhecido. Idealizei sonhos de perdição. Conjecturei, prometi, enfim… deixei-me iludir pela própria ilusão… e um dia desisti. Apenas desisti!

Desisti de esperar que batesses à minha porta. Desisti de esperar que o telefone tocasse…desisti de esperar pelos teus escritos…que haviam sido tão maravilhosos… desisti, quando percebi que um bando de gente te interessava mais, que te bajulava mais, que te davam mais amor do que o que eu te poderia dar… desisti porque eu era zero…e então desisti…Desisti!

Desisti, porque foram falsos os momentos que juntos programávamos um dia… desisti, porque partiste sem um olhar, um adeus. Desisti!

Desisti de olhar para a tua fotografia. Desisti de recordar os teus olhos, em olhares melosos, como que pondo o mundo a meus pés… desisti! Curiosa paixão… Um sopro de vento numa manhã de estio… Desisti porque não valia nada para ti…desisti!

Desisti de contar as pulsações, pensando que era o momento chegado. Desisti de sentir as pulsões que só o amor deixa nos interiores do nosso ser…porque desisti.

Desisti porque, cobardemente, abandonaste o mais belo sentimento que o ser humano pode ter, para seguires pelos trilhos de que te querias libertar e nem me disseste adeus…nem o até sempre de sempre…desisti.

Desisti porque a quem se ama não se demonstra indiferença. Não se corta a palavra. Não se despreza. Não se ignora as suas dores, não se inventam baluartes intransponíveis, para dissimular a realidade. Por tudo isto desisti… Curiosa paixão… Afrodite, estátua de pedra, muito bela…mas não dá afeição… Vénus! Todas as deusas do Olimpo te saudaram ao chegares?!!! E eu desisti…

Desisti. Apenas desisti. Desisti de ser eu. Desisti do eu que te amava. Desisti do eu que jamais deixou de pensar em ti um único minuto. Desisti porque os meandros de uma demência me apavoraram…temi o momento final, que está dolorosamente passando… e nem uma única vez olhaste para trás para acenar…como havias feito antes… por tudo isto desisti…

Desisti de pensar que o amor existe. Desisti de pensar que me poderia abençoar, com todas as maravilhas que o amor pode dar…desisti!

Desisti de querer. Desisti de acreditar. Desisti de ti. Desisti de mim… Desisti: Desisti de viver…



25.06.05

quinta-feira, junho 23, 2005

MOMENTOS DO FIM

Vou a caminhar. Caminho sem parar. Caminho com os olhos postos numa distância incomensurável. Caminho em direcção ao além, sem nunca chegar. Procuro sem encontrar o que jamais idealizei… por cada rosto com que me cruzo vejo o teu e procuro aproximar-me e triste, reconheço que apenas tive uma miragem…

No lago do jardim pareceu-me ver o teu rosto. Que loucura! Apenas foi um ramo reflectido na água. Continuo a caminhar e sem parar pressinto que a sombra que me segue és tu, mas apenas umas folhas ressequidas deslizaram, empurradas pela brisa da tarde…

E pelos meus interiores jorram rios de lágrimas que não verto. Por todo o meu eu vai correndo uma dor sem limites e inexplicável. Continuo a caminhar e parece-me ver ao fundo da avenida o lugar aprazível onde te encontras. É o lugar nenhum, mas para onde corro quase desesperada… É isso! Corro para o lugar inexistente, para te procurar. Quero que guardes o que de mim resta, pois tu e só tu, poderás guardar o que restar de mim…a recordação de mim…nada mais do que a recordação…

Outro golpe de tristeza abateu sobre o tanto desespero que já sentia. Desmoronou-se o que restava, dos escombros restantes, desta estátua que fui… já apenas existem pequenos pedaços, um amontoado de destroços… O corpo que foi corpo, de cepo chamado, não respondeu… nada responde e tu, no infinito de uma avenida do lugar nenhum não és ninguém…

O grito que quis gritar afogou-se no turbulência da onda que se espraiou na praia do nunca e sem chegar a um destino…estou a chegar ao lugar nenhum, sem ninguém e o adeus perder-se-à num silêncio sepulcral… Sem ser nada, nada serei, porque nada fui…

22.06.05

terça-feira, junho 21, 2005

UM IDOLO - JEAN-PAUL SARTRE

A 21 de Junho começa o Verão! As temperaturas que têm vindo a subir, manter-se-ão por mais ou menos três meses, possibilitando o que muitos chamarão os devaneios de verão… passear…comer…ir à praia ou ao campo… e sobretudo não pensar… como aliás, nas restantes estações do ano.

Afortunadamente, por esse mundo fora, tem havido excepções, ou melhor, tem sempre havido excepções e há quem pense todos os dias da sua existência. Foi o que fez Jean-Paul Sartre.

Jean-Paul Sartre é sem dúvida um exemplo de intelectualidade a seguir. Faz hoje, precisamente, cem anos que nasceu este Homem genial, de capacidades extra comuns e que marcou o início de uma época. Explicou dentro de parâmetros muito seus, pontos de vista que, minuciosamente observava e estudava de seus contemporâneos. Com a sua morte, em 1980, perdeu-se mais um pensador da Filosofia actual, além de excelente no campo literário, em temas profundos, como o é a existência humana. Sartre tinha uma imaginação criativa, expondo-a muito particularmente, tal como no excerto seguinte observaremos:”

…“A Filosofia aparece a alguns como um meio homogéneo: os pensamentos nascem nele, morrem nele, os sistemas nele se edificam para nele se desmoronar. Outros consideram-na como certa atitude cuja adopção estaria sempre ao alcance de nossa liberdade. Outros ainda, como um sector determinado da cultura. A nosso ver, a Filosofia não existe; sob qualquer forma que a consideremos, essa sombra da ciência, essa eminência parda da humanidade não passa de uma abstracção de hipocrisias.”

O texto acima constitui as linhas iniciais do livro Questão de Método, escrito, paradoxalmente, por um homem que jamais deixou de fazer de todos os momentos de sua vida, uma permanente reflexão sobre os problemas fundamentais da existência humana.

Há a salientar que Sartre e a obra sofreram influência da Segunda Guerra Mundial.

Do ponto de vista estritamente filosófico, o itinerário do pensamento de Sartre inicia-se com A Transcendência do Ego, A Imaginação, Esboço de uma Teoria das Emoções e O Imaginário.

Bem-haja! Ainda bem que se deixou nascer……

21.06.05

domingo, junho 19, 2005

CONFIDENCIALIDADES E CUMPLICIDADES!

Nem a suave brisa que sobra por esta noite dentro proporciona o tão desejado bem-estar, pelo qual tanto anseio. Estou impaciente e sinto um torvelinho de ideias a emaranharem-se em absurdos pensamentos, acompanhados de acelerações constantes na pulsação.

Jamais deveria ter confidenciado o que em rios de irónicos desesperos me foi atrofiando o pensamento e conduzindo-me a momentos de revolta, transportando-me a mares de solidão, cheios de sons de sereias, rindo do meu soluçar desesperado…

A imaturidade desconcertante com que abri a intimidade dos meus sentimentos, deixa-me à deriva numa orbita incomensurável de destino incerto… Fiquei de repente presa à atracção de astros que poderão ser-me fatais… Indefesa, assustada, indubitavelmente perdida… entre sentimentos que poderão jogar-me em cartadas arriscadas…à mercê da incógnita de uma inequação irresolúvel…

Simultaneamente e sem precedentes, deixei que um elo, me ligasse a ilusões que poderão nem sequer ter significado… apenas ao fenómeno biológico que se operou em mim… a descoberta da realidade que não fora mais do que imaginação até então… Desconcertante!

Mas as confidencialidades trazem cumplicidades… e nem sei se desejaria que houvesse quem partilhasse de meus pensamentos e muito menos das reacções tão desmedidamente belas, que me transportaram ao reino das sensações que as pulsões proporcionam…

O deuses do Limbo gargalharam e Zeus não deixou de fazer soar o ribombar dos seus tambores a anunciarem os festejos de tão gloriosa sensação… Abriu-se o imenso manto de nuvens que cobriam todo o Universo e as estrelas em cadenciadas coreografias dançaram, deixando que sombras fantasmagóricas fizessem desenhos de luz e sombra, quando cruzavam o clarão da lua cheia…

E eis que de olhos presos num imenso fogo de artifício me rendo, num misto de loucura e êxtase… confidenciando que sou mais um demente, entre os demais…

18.06.05

sábado, junho 18, 2005

DEPOIS DO NADA…

A ideia do dia de ontem é ser… assim como o devaneio imaginário sobre um ser inexistente… O inexistente é ser e nada simultaneamente… é assim que te tenho na minha ideia… e a ideia é o lugar especulativo no qual se recolhe toda a realidade…que não sendo, és a minha realidade…e como sendo, és, portanto pensado, então és um conceito, e, como tal tens de ser realizado! Mas não sei realizar-te!!! Não consigo encontrar a formula para que a minha ideia seja a realidade real, efectiva! Passar-te do pensamento para a realidade, eis a questão… e nesta amálgama confusa de considerandos filosóficos, diante de uma barra de chocolate, para colmatar a lacuna de não sentir sentindo a realidade verdadeira e eis que deixo fluir a corrente do pensamento como se este estivesse em uníssono com o teu e que ambos estivéssemos no exótico planeta da probabilidade… que não existindo deveria existir, para que pudesse procurar-te… se deixasses que te encontrasse…


18.06.05

quinta-feira, junho 16, 2005

NUNCA ENVIEI!

Manuela,

Queria tanto que te acalmasses… Não sejas tão intransigente, nem contigo nem com eles… finalmente os teus problemas vivem contigo há já bastante tempo.

Não podes julgar tudo da mesma maneira, há casos que se tratam, outros que ficam em stand by . Calma!

Ao fim ao cabo morrer ou não morrer, não é a questão. Foi considerado que todas as coisas que se entrelaçam com a morte, poderão ou não ter a mesma resolução…

Para quê dares importância? Será que o Abílio é a única preocupação? Vive! Vive e explora todos os segundos da tua vida! Não repitas essas frases que me deixam arrepiada… Há tantos Abílios, Ruis! Marcos, Pedros!, Lúcios… e sabes que será sempre difícil vermos na nossa presença, as suas carícias, enquanto que nos debatemos com carências tão palpáveis……

Amigona! Recordas-te de quando nos divertíamos no muro do Metro a discutir os atributos sexuais do Marquês de Pombal?... Recordas-te quando te contei os detalhes da pessoa que sabes, nas brigas com os “amiguinhos”…?

Lembra-te de como é ridículo o “D. Carlos”, com os seus últimos modelos de carros caros… o seu avião a jacto… o helicóptero… as jogatinas de Golf por esse mundo fora… enfim… um inútil com fama de machão e com a mania de conquistar este e o outro mundo…Apenas não passa de quarenta anos de futilidade! De obsessão cíclica pelo que diz ser a única razão da sua existência… Mesmo sendo tão giro e elegante!!!

Minha amiga! Não penses mais em problemas complicados. Se necessidade houver de te operarem, deixa, deita fora o que não se aproveita…lembras-te como choraste quando lemos o resultado da minha biopsia ao cólon? Lembras-te o que tens repetido desde então?
Amiga, apenas ainda não encontrei o que queria… o, mesmo O, mesmo O que ajudasse a esquecer da poltrona de estimação que vim sendo desde que descobri que temos de usar o que pensamos em prol do nosso benefício pessoal…

Caríssima! Vamos um dia destes beber uns copos, mesmo não gostando, para afogarmos as nossas mágoas… muda de Abílio enquanto é tempo… experimenta… luta… só tu tens a ver com essa situação (faz como a pessoa que sabes…são sempre três, no mínimo, para uns reporem as amarguras dos outros…). Não há donos de gentes…só de animaizinhos e estes também são independentes… para além de que não se pode levar a sério o que essa espécie da Natureza costuma dizer… não passam de tendenciosas falácias ilusórias emolduradas por algo que jamais sabem sentir…

Que idiota ir em moralidades, quando apenas se vai mutilando a vida que a Natureza nos dá… Manuela! Serei sempre a tua amiga. Não me desiludas, nem também tu mutiles a minha vontade de continuar a procura… porque sabes que ainda não desisti…

Gostava de poder dizer sem máscaras, como já conversamos sobre isso, que adoro a pessoa X, que é o segredo da minha vida…que não aceito as restrições das suas tendências, mas que quero verdades…não deixes de lutar, amiga!

Amanhã envio-te este escrito. Liga-me de seguida, para saber os resultados finais. LUTA!

Lembras-te daquela minha ex-colega da FAO? Vem cá em Agosto! Vais conhecer o novo marido! Tem trinta e cinco anos e é sueco… menos vinte e oito anos… estão felizes!

Nada mais de fofocas… Beijocas!!! SAÚDE!!!



(nunca enviei esta carta à minha amiga!!!)


11.04.05

sexta-feira, junho 10, 2005

PORQUÊ ESCREVO

Escrevo! Escrevo desde que aprendi as primeiras letras. Escrevo, porque sempre, desde os primórdios da minha aprendizagem, foi a única forma de ultrapassar a timidez que me caracteriza. Escrevo, porque é a maneira de expressar, através da palavra escrita, o que me vai pela “alma”.

Escrevo, porque escrevendo deixo que os sonhos se volatilizem, deixo que os pensamentos se expandam, deixo que todo o imaginário em que vivo seja um sem número de palavras, frases, de períodos de orações relativas, condicionais, concessivas, coordenativas…em suma, procuro dentro de uma expressividade peculiar, o deixar fluir, o que em mente se condensou, para posterior exteriorização…

Escrevo, porque toda a experiência que ao longo da vida tenho experimentado, presenteia-me com um manancial de sentimentos, que apenas pela escrita se podem expor…Escrevo, porque ainda garota comecei a escrever. A escrever versos, a escrever o Diário, a escrever cartas… até uma pequena peça de teatro para comemorar o V Cententenário de Infante D. Henrique…

Escrevo, porque ao escrever vêm à memória todas as páginas já escritas, onde em folhas monumentalmente grandes, repetia que eras o amor da minha vida…

Escrevo, porque te escrevi um sem conta de poemas e com que saudade sinto a nostalgia de os não ter, para os voltar a ler…

Escrevo, porque sempre que olho os olhos teus, sinto uma necessidade imensa de escrever, para repetir, sem saber como, que ocupas todos os recantos de todo o meu ser…

Escrevo, porque a escrever e de lágrimas nos olhos e estes presos na curva da Montanha Zembe, recordava o que deixara, tirando-me pedaços de vida, como se afatiasse um melão suculento…

Escrevo, escrevo todos os dias: prosa, verso, simples frases, ou apenas o teu nome, repetidas vezes, para que ao partir, o leve bem gravado em todos os neurónios que o memorizaram tão docemente…

Escrevo, porque escrever é uma terapia, porque é uma forma pessoal de psicanálise, que me proporciona rever todo o filme do que foi e é a vida que ainda tenho…

Escrevo, porque escrevendo e a minha escrita não sendo lida, estou segura que não entram no segredo que me dá alento para continuar, para além de cada pôr de Sol…

Escrevo, porque a escrever deixo que todas as raivas e iras esmoreçam pela escrita corrida, sem que as deposite em quem me rodeia…

Escrevo, porque escrevendo vou iludindo a mentira por verdades que me correm faces abaixo, dissimulando a desilusão que me causa toda a falsidade com que vais mascarando o cada um dos nossos dias…

Escrevo enfim, porque a escrever vou tentar esquecer mais uma página deste longo diário que venho escrevendo há tanto tempo…e esquecer todas as mentiras que dizes, possivelmente piedosas…

10.06.05

quinta-feira, junho 09, 2005

GOSTEI!

Gostei. Gostei como não posso descrever, pois palavras não há, para descrever a doçura com que chegaste, me disseste todas essas palavras… mentirosas, e, me deste todos os carinhos de que tanto tinha saudade…

Gostei de sentir o roçar dessas pestanas longas e negras, acariciando-me o pescoço, as costas…enfim…gostei…

Gostei de sentir o teu respirar nas coxas, dos teus lábios pelos braços…gostei…

Gostei! Gostei tanto de te sentir suspirar sobre o meu peito arfante de satisfação…

Gostei sobretudo do carinho que me dispensaste, embora fictício, porque tinha saudades de te sentir perto de mim…gostei que assim ficássemos, numa quietude plena de prazeres… sem que fossemos ao todo dos prazeres…

Gostei, porque a saudade era muita. Gostei porque vieste, gostei porque ficaste, gostei porque apenas nos entregámos ao prazer de estarmos, sem obrigação de nada…

Gostei! Gostei porque todo o prazer jorrou por todo o interior do meu ser, sem que tivesse havido nada mais do que o toque entre a tua pele e a minha pele…

Gostei porque deste-te, sem que te pedisse… Gostei, porque sempre que chegas, sinto-me eu, mesmo sabendo que tu não és tu, apenas és o que quero que sejas, quando estás comigo…

Gostei! Gostei porque revitalizei todo o meu sonhar e todo o prazer de estar, mesmo sabendo que estando não estás e que sendo não és… mas mentes tão bem…

Gostei, porque gostamos sempre do que é, sem ser… a verdade é que tudo o que gosto, não é!...

07.06.05

quarta-feira, junho 08, 2005

DEIXEI!!!

Deixei de escutar a tua música!
Deixei de ouvir os teus sussurros.
Deixei de ler os teus escritos.
Deixei de comentar o que vens escrevendo.
Deixei que o pensamento corra como um cavalo à desfilada pela lezíria pardacenta depois de tanto calor…
Deixei de sentir todas as pulsões que sentia, quando pressentia que te aproximavas.
Deixei de atender os teus chamamentos…
Deixei que dominasses os meus sentidos e perdi-me… deixei que tempo demais passasse…
Deixei arrastar-me pelo labirinto do teu pensamento sem que te apercebesses… e correste atabalhoadamente no primeiro jardim que encontraste… sem me encontrares…
Deixei que uma torrente de lágrimas se confundisse entre o desgosto da perda de uma querida amiga e o desgosto de não te ter como a maior preciosidade que se pode ter…
Deixei que tudo parecesse belo, quando um escuro de breu não deixa ver nada…
Deixei que me iludisses, para me agradar e elevar a auto-estima… porquê nos olhos deixaste sempre transparecer isso? Por isso a ilusão não passou de ilusão…
Deixei que minhas mãos te tocassem, mas toquei sempre na estatueta de estimação… como todas as estatuetas, fria, brilhante e distante…
Deixei que sentisses o prazer do perfume que me envolve… só não percebeste que sempre foi cheiro a velas ardendo…
Deixei de ser, deixei de estar, deixei que o tempo passasse…
Deixei-me iludir e nem sei se saberei resistir…
Deixei que todas as palavras fossem a teia que me envolveu… e que irá envolvendo outros e outros… que descartarás, quando outros surgirem, para alimentar o teu ego, sôfrego de dominação…
Deixei que me lesses e perscrutasses todo o meu ser… e com palavras e sem palavras, nada disseste…
Deixei que toda a minha ternura se perdesse no distante eco dos silêncios… sem ter tido oportunidade de dizer quanto te queria… por isso, deixei de ter necessidade de o dizer…
Deixei, enfim, o meu espaço para que o preenchas com novas leituras, novos elogios, novas formas de iludir os quantos leitores sedentos de vida e procurando algo que os preencha…
Deixei sim, de viver, quando nem havia nascido…


07.06.05

sábado, junho 04, 2005

ACABARAM… …(folha caída do Diário…)

Acabaram-se as leituras. Acabaram os falsos conceitos. Acabaram todas as ilusões. Acabou o momento. Acabou o tempo! Sem tempo para jogar, sem tempo para iludir. Estou sem tempo…O meu tempo expiro!

Interpretar jogos de palavras como quem joga o “scrabble”, não me proporciona qualquer tipo de preenchimento espiritual. Contrariamente, sinto que todo o balancear de palavreados lançados como quem deita o papagaio de papel ao vento, teve a sua época áurea, mas já não diz nada. Tudo é um ror de maquiavelismos torturantes, para triturar a sensibilidade de quem, sofredor de amores defuntos, idealizava uma mente forte para apoio de caminhadas cambaleantes, por veredas sinuosas em arribas abruptas de escarpas suicidas.

Acabaram-se as loucas ilusões. Acabaram as esperas desesperantes, sempre em vão…

Acabou o inolvidável momento que durou o espaço de um suspiro. Acabou a música duma orquestra sem músicos… Acabou a silenciosa canção, sem ritmo, sem voz, sem som…

Acabei! Fim do último acto de uma peça de teatro que nem começou, porque não teve actores. Não teve contra-mestre… nem as pancadas de Molière se ouviram, porque não podia subir o pano… porque não havia texto, porque não havia guarda-roupa…porque nada existia…

Acabei. Acabei sem ter começado. Acabei sem saber o que começar e porquê iria começar fosse o que fosse… simplesmente acabei. Acabei comigo própria… auto destruí-me… porque nem sabia como me iniciar…

Acabei! E ao acabar deixei que tudo acabasse à minha volta. Destruí tudo! Destruí o que escrevera, porque não era para ser lido. Não podia ser lido porque não tinha significado… Não era para ninguém ler, porque não podia ter ninguém a quem dedicar o que escrevia… Foi tudo, sempre tudo, um amontoado de nadas… E eu não fui nada…não signifiquei nada…e destruí o nada… e não sendo nada, e não sendo para ninguém, só o acabar se justificava…

Acabei sem adeus. Acabei sem um olhar. Acabei sem um último suspiro… apenas acabei…
03.06.05

sexta-feira, junho 03, 2005

FOLHA PERDIDA DO DIÁRIO

O mundo dos silêncios arrebatou-me para os interiores do desconhecido. E perdida numa escuridão de cegueira, apenas sinto o palpitar do sangue nas veias e as lágrimas que quentes, parecem querer adoçar o desespero…

Lendo o que li, aquando julgava passear-me pelo claro mundo dos amores, fiquei desiludida. Como senti revolta de tudo! Como me senti enganada por todos. Como me senti preterida pelo mais belo sonho que jamais havia sonhado… sem direitos! Nem ao de um simples sonho…

E sem querer, eis que volto ao mundo dos antigamente, onde me foi vedado o tudo que mais desejava…

“Não deves dizer que adoras! Só adoramos a Deus… uma boneca não é Deus. Não deves adorar esse vestido… é pecado, Só adoramos Deus! E os primeiros sapatos com tacão alto? Que loucura, adorares sapatos amarelos… Só se adora Deus!...”

Adorar um homem? “Não! Só adoramos a Deus! Não se deve adorar bens terrenos… “

E que Deus foi esse que nuca me deixou adorar nada, nem ninguém? Que Deus foi esse que não permitiu que todas as sensações não passassem de imaginação?... Que Deus é este que nem me deixa ouvir dizer que sou adorada?...mesmo sendo mentira… neste mundo dos silêncios…

Foi-se o Estio, a Primavera e tantos Outonos, foram tantos tempos, sem que desse que esse tempo ia passando… e porquê tudo é igual?... E a voz do além repetir-se-ia… não fora só haver silêncios…

Neste mundo silencioso onde me perco, só os gritos interiores, abafados numa escuridão profunda, são o que calei indefinidamente… ADORO-TE! Adoro-te!...adoro-te…

Adoro os escritos do mistério, lidos e relidos, no escuro dos escombros das décadas que nos separam. Adoro idealizar que uns olhos cor de avelã me olham para além da cegueira desta escuridão imensa… e entre a imaginação e o ruído do sangue que vai correndo nas veias cansadas, oiço o que não oiço, porque ninguém o diz: Adoro-te!

Adoro toda a ansiedade que me causa a incerteza do escuro que me abraça e idealizo que esse abraço é o misterioso abraço, que só a escuridão pode dar… porque abraços, beijos, ternuras, são apenas para quem se adora…

É proibido! É pecado! Não gosto delas! Não podes adorar! NÃO! NÃO!...tudo não! E neste escuro de breu, sem bastão ou facho para iluminar, tropeçando constantemente aqui e além, num desmedido descontentamento que a rebeldia instalou à nascença, sou intolerante, exagerada, desiludida e já sem nada nem ninguém a dar o amor: ODEIO! Odeio, odeio tudo e todos: o que escrevo, o que leio e todos os que se amam, porque amam a mentira, porque se destroem com falsidades, com inexistências… irrealidades…
03.06.05

MAIS UMA FOLHA DO DIÁRIO…

Apetecia-me ter vinte anos! Vinte anos, com mais quarenta de experiência, com mais trinta de loucuras e uma eternidade, para dizer como te amo!

Apetecia-me ter a ternura de um pássaro acabando de sair do ovo. Ter a leveza de uma bola de sabão, o sorriso de uma gueixa e o corpo de uma sedutora sereia de voz envolvente e escamas brilhantes e hipnotizantes…

Apetecia-me ser a dona de todos os teus pensamentos. Apetecia-me ser a senhora de todos os teus desejos… enfim… apetecia-me deixar-me envolver em teus braços, num gesto de plena ternura, de abandono, sem quaisquer senão a não ser o de gravar para todo o sempre o teu murmurar delicado, entre suspiros de deleite e sussurros de prazer…

Apetecia-me que de entre a penumbra da hora crepuscular, sobressaísse o teu olhar carinhoso, como se esse olhar fossem torrentes de beijos ternos e apaixonados…

Apetecia-me estar envolvida entre farrapos de nuvens brancas, com o teu olhar preso no meu, sem que as palavras fossem o impedimento de transmissão do amor que te dedico…

Apetecia-me prolongar o momento dos momentos, num gemido eloquente de paixão e que na fuga do tempo jamais disséssemos adeus… mesmo sabendo que nem sentes o mesmo que eu…

Apetecia-me gritar, no último grito que me resta, que foste o meu momento, o mais belo momento antes do momento acabar…

E com esta Morte tão bela, quem poderia dizer-lhe que não?... por isso, num afago de ternura, eis que me deixo envolver como me apetecia… e parto para o desconhecido, apaixonada pela única razão que soube perceber o quanto sei amar…


02.06.05