Boa disposição, mostrando que a auto-estima dos presentes é elevada; convívio agradável; almoço excelente… música e dança não faltaram…
segunda-feira, abril 10, 2006
quarta-feira, abril 05, 2006
SOMBRAS

Somos só duas sombras paralelas
Que talvez jamais se encontrarão,
Como a chama de duas velas,
Lado a lado, iludindo-nos a visão…
Somos duas imagens, talvez belas…
Dois chilreios, duas flores, uma canção
Somos duas sombras, becos, vielas
Podíamos ter sido dois num coração…
Somos um nada no todo da paisagem,
Somos apenas sombras: uma miragem…
E nada foi mais do que imaginação…
E nada mais do que as sombras do dia,
Em que fingindo ignorar, invadi a fantasia…
Para apenas em sombras, ficar a desilusão…
O2.04.06
sábado, abril 01, 2006
CONVERSA DA TARDE

No meio da mesa duas chávenas de café e dois copos de água. Nós, frente a frente, vamos deixando deslizar as palavras que preenchem o nosso diálogo – a nossa conversa da tarde.
A nossa conversa desta tarde versou sobre os temas saudade e amizade e dissecámos os antagonismos que caracterizam a rotura de uma amizade e o jogo de interesses que podem ser utilizados para a manter, manobrar ou romper com a amizade entre duas pessoas, do mesmo sexo ou de sexos opostos. Estes malabarismos designados como “amizade”, apenas o são em palavras, porque de amizade, nada têm.
A saudade veio na sequência de um livro de José Ortega y Gasset – Saudade - notas de Trabalho – em que este autor faz observações filosóficas, em breves apontamentos, sobre a saudade. Apaixona-me o tema, porque sou uma apaixonada da saudade, que, com as características que lhe imprimimos, só nós, os portugueses, mostramos como a sentimos, nesta dimensão.
Mas o tema de fundo, que por mais de uma hora debatemos, foi o da amizade, que na sequência do afastamento de alguns amigos, nos fez conjecturar e configurar situações, que podem ser causa para levar a uma rotura, senão que temporária, definitiva, entre pessoas que admitiam que jamais se iriam apartar.
A amizade, o amor ao amigo, é algo que nos faz pensar e pensar profundamente. Será que para ser amigo se tem de aceitar todos os seus desaforos? Fingir que não se percebem? E se um dia, se nunca se esclarece o que molesta a outra parte, acaba a amizade com um sofrimento desnecessário?… ser amigo é ser transparente e criticar ou apoiar, sinceramente, com o tal amor de amigo? … Será que ficou percebido o conteúdo desta conversa da tarde? Será que depois de tanto termos procurado formas de agir de verdadeiros amigos, as encontrámos? Será que como amigos não há fronteiras ou há muros intransponíveis? Será que dizer a um amigo que o amamos é mal interpretado? Será que um amigo nos ouve e comenta posteriormente com outros amigos? A Amizade tem assim tantas interrogações?
Foi maravilhoso este fim de tarde!
01.04.06
sexta-feira, março 31, 2006
A NOITE
A noite vai fria dentro das horas que vão escorrendo através dos ponteiros do relógio, sem que olhem para quem os vai vendo, passo a passo, a marcarem um tempo diferente, tão diferente daquele que queria que fosse passando.O tempo teve o seu tempo e todo o tempo teve a sua oportunidade de ser o tempo ideal. Não esqueço o que o tempo me deu e o que me tem tirado, sem que tenha possibilidade de recuperar o que quer que seja.
As dúvidas que com o tempo foram crescendo, deixaram aumentar a angústia que me domina no tempo de agora. A incerteza que me assalta a cada instante, destroça-me a vontade, aniquila-me a auto-estima e extingue a última etapa deste tempo vazio e sem perspectivas.
Um cansaço incomensurável instalou-se no meu ser, como se tivera acabo de subir uma alta montanha… e subi realmente. Subi a montanha da desilusão… Do cume da escarpa olho para os desaforos que me atormentam, como se fossem penhascos pontiagudos, de rochas afiadas como gumes de facas… que me foram parcelando os desejos, me foram retalhando em finas tiras de desespero e de nojo pelo procedimento desajustado daqueles com quem me fui cruzando, aquando da minha passagem até aqui…
E a noite estrelada e fria vai subindo no horizonte da existência que vou vivendo sem viver, porque só se pode viver se a plenitude do todo for real e tão cansada jamais conseguirei abandonar este ninho de abutres onde me refugiei e donde queria partir…
30.03.06
sábado, março 25, 2006
FOR ME


I sent for the clowns
to make me laugh.
A smile is not enough
to whom suffers so much.
I sent for funny people
with their crazy jokes
to be happy in a circus
and to forget
and to forget more and more
laughing…
I sent for the clowns
to make me laugh,
to dry my tears
to forget my suffering
with a new paragraph…
To fall in love again
with someone else
in a crazy love
without suffering or pain.
So I sent for the clowns
to make me laugh
and not to be myself in vain…
quarta-feira, março 22, 2006
POESIA

Acontece escrever neste dia,
Acontece ser manhã de Primavera,
Acontece caminhar por Lisboa,
Acontece que há gente que morre,
Acontece que há gente sofrendo:…
Por fome,
Por doença,
Por drogas…
Por egoísmo
Por serem gente!
Acontece pensar em ti, agora.
Acontece que, mesmo assim não me apetecia.
Acontece que tudo apenas é quimera
Acontece que vou à deriva, ando à toa
Acontece que minha alma chora,
Porque há quem sofra,
Porque há quem espere,
Porque ainda há homens ignorantes,
Porque há mulheres violadas,
Porque o orgasmo não é sentido…
Acontece mesmo assim, poesia
Acontece estar perdida pela Blogosfera
Acontece ser como uma joaninha: voa…voa…
Acontece sempre o que querem, não o que queria…
Porque o Amor é magia,
Porque se perde na Montanha,
Porque prefere a juventude,
Porque apenas valho um Nada…
Porque um Nada é a Morte…
… E assim surge a poesia…
Acontece hoje, muito verdadeira,
Acontece, porque tem este dia,
Acontece porque foste um agora,
para a vida inteira…
21.03.06
domingo, março 19, 2006
NOITE

Peguei num cigarro e olhei-o nos olhos e escutei atentamente as suas palavras mágicas: “Amo-te!”
Quem diria que tão hirto, pálido e frio me segredava o que mais queria ouvir?... Sem exigências, esperou que o apertasse entre os lábios e sugasse a sua magia…
Esperou em vão. Esperou em desespero, porque apenas o ouvi repetir vezes sem conta que me amava… enquanto eu apenas o olhava, cheia de dúvidas, numa inconstância de sentimentos…
Prometi não voltar a sentir o seu prazer, deliciando-me com outros prazeres, que no oculto da noite, entre chuva violenta, punham-me na mão o segredo de algo mais belo e profundo, que o amor de um simples cigarro…
E o meu segredo não falou e disse tudo. Não tive de o entrelaçar entre os dedos numa carícia temporária… mas ficou como o mel, colado nas minhas mãos, bebendo os meus sentidos e num rumo incerto pelo mar de estrelas que iam espreitando por entre as nuvens que num emaranhado de novelos escuros, faziam com que chovesse copiosamente…
E foi a noite entrando pela madrugada, suspirando de angústia, apaixonada, falando silêncios, como se fora um lindo diálogo de amantes… ou um simples monólogo dos que estão vagueando pela solidão entre os estreitos e escuros trilhos da noite escurecida pelas bátegas da chuva que vai caindo…
18.03.06
sexta-feira, março 17, 2006
LIBERDADE, LIBERDADES E OUTRAS AMBIGUIDADES
Liberdades! Tretas! Onde estão elas? Mesmo com todas as liberdades vamos ficando privados disto ou daquilo…Não se deve isto, não se deve aquilo… fumar, conduzir com mais de x% de álcool no sangue, falar ao telemóvel na estrada quando se conduz, falar do que se deve silenciar, fazer compras sem fundos, fazer grandes elogios, quando estes não passam de palavras… dizer que se gosta disto ou deste, desta ou daquilo, só para fazer jeito… enfim, se especular bem sobre as nossas liberdades, vou seguramente entrar em outros campos, que muito possivelmente, não serão do agrado, como o do acto de pensar… Pensar!
Ambiguidades! Pois é! Pensar é quase uma ambiguidade. Nem convém que se pense, porque se passa a inconveniente e deixa-se de ter lugar entre os reais pensadores… esses pensaram para que se lhes siga o pensamento…
Pensar? Pois! Que conveniente é não pensar! Porquê pensar? Pensar em quê? Como direccionar a linha do pensamento? Pensar, pensando profundamente nos fundamentos que nos levam a pensar isto e aquilo, é realmente pensar e nem sempre convém à massa humana que nos rodeia, que pensemos… Assim, os pensadores dominam, mandam, constroem e destroem conceitos, preconceitos e múltiplos mecanismos de controlo, domínio, aconselhamento e direccionamento dos pensamentos dos “apenas” simples pensantes…
Inventam-se palavras, cujos significados também são inventados e os pensadores abrem assim um manancial de alternativas de domínio dos pensantes básicos, que dominados, aconselhados e direccionados, regem-se pelas teorias dominadoras do pensamento dos tais pensadores… As OPAS hostis aos pensantes básicos quando estes se querem evidenciar e admitiram ter conseguido começar a pensar…
E se pensássemos mesmo, sem a perspectiva de criticar negativamente e começássemos a construir mais, não seríamos mais positivos?
17.03.06
terça-feira, março 14, 2006
MAIS UMA FOLHA SOLTA…
Depois de me deitar muito tarde, levantei-me muito cedo, porque o peso dos pensamentos faziam com que a cabeça se afundasse pela almofada, que húmida de umas boas horas de choro, começou a ser incómoda.Uma vez fora da cama, para ocupar o tempo que iria passar lentamente, comecei a pegar em algumas folhas soltas que se espreguiçam pela mesa de trabalho e encontrei recortes de revistas, fotocópias de trabalhos antigos misturados com outros mais recentes, da psicogerontologia, apontamento de sites a consultar e um sem número de outros escritos e notas que vou fazendo, de coisas que oiço e que dizes e que vão deixando cicatrizes de difícil cura……
Deixo-me perder entre o que não existe e que embora vá existindo, não faz sentido e às vezes leva a que um sorriso cómico-idiota me aflore aos lábios, para depois me desfazer num pranto imenso…
Deixo que a imaginação me faça sentir a tua mão tépida passando pela face, contornando a boca, afagando o pescoço e feita adolescente sensual, deixo-me arrepiar ao som da tua voz “Et je chante pour toi” … … …
Pelo que vou estudando e consolando a minha sede de saber, que parece insaciável, vou constatando que o que sinto, não está, de forma nenhuma, fora do contexto da realidade do ser humano. O tabu e o preconceito continuam a ser formas limitativas de realidades, que a natureza pôs em cada um de nós. Aliás, rodeados de limitações, resta-nos apenas ser o que querem que sejamos e não o que somos. Que frustração!
Don’t worry! Be happy!!! Dizes do além, como se realmente quisesses que assim fosse…… I’ll try. I promise……
E as horas escoam-se no dia que vai descaindo no horizonte, sem que, para além do monte, eu não veja senão o brilho dos teus olhos semi-esverdeados, quando estás feliz…
13.03.06
quarta-feira, março 01, 2006
PASSOS E PASSOS

De vagar, deixo-me vaguear neste jardim.
Meus olhos vão passeando pelas flores;
Percorro os troncos de árvores sem fim
E deixo uns suspiros aos meus amores…
Cada som ecoa uma agressão feita a mim
E o empedrado irregular causa-me dores
Interrompendo meu pensar, como chinfrim
E eu só quero silêncio para adorar as flores…
Queria verter lágrimas. Chorar de verdade.
Mas meu choro secou ante tanta crueldade…
Apenas alguém… Alguém? Eu sou ninguém…
Apenas sou a estátua de granito escuro e frio
Que olha indiferente as calmas águas do rio
Enquanto aquele amado vai rindo com desdém…
01.03.06
segunda-feira, fevereiro 27, 2006
SUSPIRANDO…

A noite está tão calma e aprazível
Com estrelas cintilantes aqui e além.
Em meu redor há uma beleza indizível,
Que embora de todos, é de ninguém…
Ninguém na rua. Nem sombra visível.
Não há luar, nem aragem em vai e vem
Apenas o meu triste chorar: Incrível! …
Choro de quem tudo tendo, nada tem.
E os pássaros da noite choram comigo
Num bailado solitário, sem um amigo,
Sem o ombro acolhedor onde chorar…
E tu, amado querido lá longe, no além,
Partiste sem adeus, para seres ninguém…
Até esqueceste de deixar quem possa amar…
27.02.06
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
MANSAMENTE

Qual Adão, veio assim, tão mansamente,
Cobrindo-me como o sol, com o seu olhar,
Dizendo sem falar, muito silenciosamente,
Que apenas era a Vida: vinha para me amar…
Nada trazia. De mãos livres e carente,
Com o mais terno olhar e um doce beijar,
Apenas vinha com um desejo na mente:
Brincar com a minha ilusão de o amar…
E veio esse Adão de verdes folhas coberto,
Que se mostrou liberto e apenas é um deserto,
Ávido de dominar “Evas” em decadência…
Insaciável, sempre manifestamente carente,
Deliciosamente teatral ou às vezes ausente,
Aguça o nosso amor com toda a sua inocência…
24.02.06
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
QUARTA-FEIRA

Pinceladas de nuvens brancas rabiscaram o azul do céu e pareceu um quadro magnífico.
O Sol brilhou no prateado do rio e pareceu um sonho de fadas dançando à luz de velas.
Os pássaros cantaram e pareceu uma orquestra deixando que uma melodia apaziguadora anunciasse para breve a primavera…
As notícias difundidas não são nada melodiosas e obrigam a que o pensamento se esvaia em mil e uma preocupações.
Com tanta coisa que nos absorve, acabamos por esquecer que o que está mais perto de nós e que também deveria ser um ponto de observação. Afinal, nem é necessário ler os jornais, nem ver televisão ou ouvir rádio, para sentirmos na pele as golpadas de desonestas identidades que cobram indecorosamente o que não se gastou, que “se enganam” nos trocos, que apelam para a nossa sensibilidade para nos espoliarem, para nos vender algo que não necessitamos… enfim, não teria mesmo fim a lista de tudo o que deveria ser um centro das nossas atenções, para não cairmos nas múltiplas armadilhas que nos põem aos pés a cada momento.
Mas viver não é só isso. Há coisas belas e pessoas belas, embora muito poucas, porque parece que até se envergonham de mostrar a sua beleza, ante tanta negatividade…
terça-feira, fevereiro 21, 2006
EM SUSPIRO

Jamais pensei amar assim, tão doidamente
Olvidando até por quem outrora sonhei…
Repudiando sonhos que criara, antigamente,
Ganhando novas forças, esquecendo a saudade
E as amarguras geradoras de tanta infelicidade…
Jurei esquecer a tristeza, lutar e ir em frente
Ou esperar sem tempo pelo que idealizei.
Rasguei todos os escritos do antigamente
Gozando toda a ternura da suposta verdade
E viver enfim, toda uma bela realidade…
Realidade? Apenas um sonho de ilusão…
Ou talvez apenas uma triste fantasia…
Sinfonia inacabada de sonhos de verão
Acompanhando a minha eterna agonia……
21.02.06
PARÁGRAFOS DO DIÁRIO
Num saltitar nervoso, os dedos saltam de tecla em tecla, tentando escrever o que passa na mente numa rapidez incontrolável.Da lágrima ao sorriso, do sorriso ao choro desenfreado, do suspiro ao grito ensurdecedor com as palavras a empurram-se, sem espaços… sem pontos ou virgulas… sem conseguirem encontrar o seu significado… são as minhas palavras. As palavras simples que fui escrevendo e que em mentes eruditas, iluminadas, enriquecidas pelos luxos e pelo compra que compra, sem olhar o humano de cada um e que não passaram de palavras, de cobrança, palavras de entretém… vil forma de encarar o amor… se é que se sabe o que é o amor ou se esconde o porquê nunca se amará ninguém, a não ser para vingar o que cruelmente se cria na mente e no corpo, sem olhar a gastos…
Mas mesmo numa escrita desconexa vou procurando encontrar o que no dia a dia tentei dizer, mas que não dizendo fui fazendo crer, porque a limpidez do sentimento é algo que não se pode manobrar e o não é sempre bem claro, ou não, se não se quiser entender… porque amar, amar sem, sem nada de volta, é belo e triste, é belo e imenso, é belo e doloroso, mas grandioso… e é assim que eu gosto, gosto de quem não gosta de mim, gosto de quem nem pensa em mim, de quem nem se lembra de um ou outro momento que ao cruzarmo-nos, os nossos olhares se tenham cruzado também, gosto de quem tem outros amores, outras linguagens, outros entenderes, mas gosto, não pela diferença mas pelo imenso amor que necessita para sobreviver…mas não posso gostar de quem pensa que carros, aviões, diamantes ou peles de animais assassinados, me possam satisfazer… um simples dar de mão, um beijo carinhoso, um sorriso compreensivo…valem tudo… sem preço!
E mais uma vez penso na minha amiga que sem nada se finou, porque amando se deu a quem nada lhe proporcionou…
…e quanto ao resto, eras tu que tinhas razão, amiga…
domingo, fevereiro 19, 2006
LOUVOR AO DIA 19

Deitei-me numa estrela a brilhar
E fechei os olhos para te sentir.
Deixei-me arrastar no terno beijar
Sentindo em mim, uma rosa a florir…
Guardei em meu sonho teu paladar,
Gritei à Lua que não queria partir…
Porque estava feliz, por te amar
Mesmo que o sonho me estivesse a iludir…
Cruzei-me com a estrela do amor,
Pedi-lhe que jamais me desse dor
E que durasse sempre o encantamento…
Deixei-a abraçar-me intensamente
Para que numa loucura permanente
Jamais saísses de meu pensamento…
19.01.06
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
IDEIAS ASSEXUADAS
Inofensivo não!Oportunidades … futuras
Ingénuo não apetece…
Subtil rejeição,
Faz-se o jeito…”merece?”
Porque se foi a ilusão…
E o diálogo esgotou;
Quando nada mais falta
E saturam as ternuras…
Até a vontade fenece….
Chegando a força da paixão,
de lábios grossos de quem
Timidamente e com mesuras
Ao pôr-do-sol aparece,
E raios de luz da lua tem….
Usa-se a palavra razão
E a coruja pardacenta,
Cruzam dados: convém!
Nasce discurso de embuste,
De esperteza, comovedor…
E os sorrisos mordazes
De jogos pseudo sexuais
Desviam toda a atenção
De quem procura um ajuste
Em sensações reais…
17.02.06
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
IRRACIONALIDADE

E se houvesse um seixo,
de rocha em rocha a rolar,
Seria meu amor a partir…
Seria o tal sentimento
Que sem um olhar deixo,
Deslizar, até se afundar…
E se houvesse um caminho,
Como estrada de alcatrão,
O seixo iria sempre a rolar,
Como o tal sentimento,
Que só deixou ilusão,
E no mar ia acabar…
Caído no fim do rochedo,
Lá estará o meu amor:
Despedaçado, desintegrado…
Sem cobardia nem medo,
sem mais mentira ou dor,
apenas um amor acabado…
14.02.06
terça-feira, fevereiro 07, 2006
THIS IS YOURS

Stay on your own
If it is your desire
Become someone alone.
Be happy in your way
And let me cry…
Look for another guy
Or stay all alone,
But my tears will never dry …
Stay at your home
You don’t need me
Any more…
The mountain
And all the trees
go on waiting for you
as they wait for rain..
Be happy with your mates…
Forget all those dates…
And only say good bye …
Forget my flowers,
My smile,
And go on alone…
For ever… without me…
06.02.06
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Das – der Wahrheit Freier?...

Nicht still. starr.glatt.kalt,
zum Bilde worden,
zur Gottes-Saule,
nicht aufgestellt vor Tempeln,
eines Gottes Thurwart:
nein! Feindselig solchen Tugend-Standbildern,
in jeder Wildniss heimisher als in Tempeln,
voll Katzen-Mutwillens
durch jedes Fenster springend
husch! In jeden Zufall,
dass du in Urwaldern
unter buntzottigen Raubthieren
sundlich gesund und schon und bunt liefest,
mit lusternen Lefzen,
selig-hohnisch, selig-hollisch, selig- blutgierig,
rauben, scleichen, lugend liefest...
... ... ... ...
Isto – o pretendente da verdade?...
Não quieto, rígido, liso, frio,
tornado estátua,
não como coluna de céus
colocada diante dos templos,
guardião de um deus:
não! hostil a essas estátuas de virtude,
mais íntimo dos desertos que dos templos,
cheio de felina malícia
saltando por qualquer janela
upa! Para todo o acaso,
pelo faro procurando qualquer floresta virgem
para que nas florestas virgens,
entre feras de pêlo malhado,
corresses pecaminosamente são e belo e colorido
com beiços lúbricos,
ditosamente escarninho, infernal, sanguinário,
corresses roubando, rastejando, mentindo…
… … … ..
Este pequeno fragmento da poesia NUR NARR! NUR DICHTER! (Só doido! Só Poeta!) de Nietzsche, é muito belo, por isso partilho-o com quem o vier a ler…
segunda-feira, janeiro 30, 2006
DA MINHA JANELA


Da minha janela vi tudo branco. Da minha janela vi os flocos de neve a cobrirem os caminhos e um manto branco a deixar toda a linda paisagem do Monte Gordo (Vila Franca de Xira), como que vestido de pureza… a cor que me inspira quando pego numa tela e lá deixo os meus tons, transformando-a num quadro.
Da minha janela observei quem corria a tirar fotos, para que se recordasse mais tarde desta maravilha que a Natureza nos proporcionou.
Neste Domingo, dia 29 de Janeiro de 2006, caiu neve na paisagem, mas não caiu no meu coração…
29.01.06
sábado, janeiro 28, 2006
UM CORAÇÃO
domingo, janeiro 22, 2006
ESTOU EM BRASA!
sexta-feira, janeiro 20, 2006
ARCO-IRIS
terça-feira, janeiro 10, 2006
TONTA!

Tonta, perdida sou eu
Que em busca do nada
Recorda quem morreu,
E ainda sonha ser amada
Depois do que sofreu…
Tonta, só e à deriva
Julgando-se apaixonada,
Qual Lady Godiva,
Triste e insultada
A recordar quem morreu…
Tonta, injuriada e triste
Vagueando ao acaso
Qual demente, insiste
Esquecendo estar fora de prazo,
Para quem não a mereceu…
Tonta, mal tratada, preterida
Finge nunca perceber
E julga ser sua querida
Quando a está a escarnecer…
Porque para ele nada valeu.
10.01.06
domingo, janeiro 01, 2006
NASCER DO SOL
quinta-feira, dezembro 29, 2005
FRAGMENTOS DE PENSAMENTOS… …
Inconsequente é o sorriso que baila nos meus lábios. Ilógico é este sentir despedaçar de sentimentos. Irracional é este amor por um punhado de nada. Absurdo é todo este sentir a desmoronar-se o que se tenta construir. Paradoxal é o querer perceber porquê se significa tão pouco para quem se ama tanto…O voo rápido de um pássaro nocturno chama a minha atenção… pareceu o meu suspiro…enquanto aquele pensamento se esbate em quem quer manter o silêncio e quer manter o afastamento… poderá ser o início do que tanto almejei, mas pode ser o fim do que não teve princípio…
sexta-feira, dezembro 23, 2005
MISSIVA
Em meia dúzia de linhas deixei-te a minha missiva. Foram palavras soltas, palavras apenas, para saber se já tinhas pensado, como é belo o que te rodeia: o verde das plantas, o castanho da terra, o colorido das flores…um verdadeiro arco-íris. Como uma coroa por cima das nossas cabeças… Que bom podermos ver cores tão belas…E também como é bom sentir o quente macio dos lábios do amor da gente… é quase como sermos uma das cores do arco-íris… é como se fossemos um deus do Olimpo. Como se nos sentíssemos uma libélula sobre um nenúfar, num lago encantado…e nunca mais se esquece… Foi ontem? Foi há tanto tempo… que nem as árvores da Avenida das Descobertas se recordam… mas eu recordo e sinto o mesmo estremecer quando lá passo… e continuo a escrever como se fora ontem que ao fechar da porta me abraçaste…e não voltaste… é longe esse além? E tem arco-íris? Voltas para me beijares?
quarta-feira, dezembro 21, 2005
O PRESÉPIO

O nascimento de Jesus começou a ser celebrado desde o século III. A partir dessa data, realizaram-se as primeiras peregrinações a Belém, para se visitar o local onde Jesus nasceu.
Desde o século IV, começaram a surgir representações do nascimento de Jesus em pinturas, relevos ou frescos.
A palavra “presépio” significa um lugar onde se recolhe o gado, “curral, estábulo”. Contudo, esta também é a designação dada à representação artística do nascimento do Menino Jesus num estábulo, acompanhado pela Virgem Maria, S. José, uma vaca e um jumento. Por vezes, acrescenta-se outras figuras, como pastores, ovelhas, anjos, os Reis Magos, e outros. Os presépios são expostos não só em Igrejas, mas também em casas particulares e até mesmo em muitos locais públicos.
No século XVI, surgiram em Itália os primeiros presépios. O seu surgimento foi motivado por 2 tipos de representações da Natividade (nascimento de Cristo), a plástica e a teatral: A primeira, a representação plástica, situa-se no final do século IV, esta surgiu com Santa Helena, mãe do Imperador Constantino; da segunda, a teatral, os registos mais antigos que se tem conhecimento são século XIII, com Francisco de Assis, este último, na mesma representação, também contribui para a representação plástica, já que fez uma mistura de personagens reais e de imagens. Embora seja indubitável a importância destas representações da Natividade para o aparecimento dos presépios, elas não constituem verdadeiros presépios.
Passados 9 séculos, no século XIII, mais precisamente no ano de 1223, S. Francisco de Assis decidiu celebrar a missa da véspera de Natal com os cidadãos de Assis de forma diferente. Assim, esta missa, em vez de ser celebrada no interior de uma igreja, foi celebrada numa gruta, que se situava na floresta de Greccio (ou Grécio), que se situava perto da cidade. S. Francisco transportou para essa gruta um boi e um burro reais e feno, para além disto também colocou na gruta as imagens do Menino Jesus, da Virgem Maria e de S. José. Com isto, o Santo pretendeu tornar mais acessível e clara, para s cidadãos de Assis, a celebração do Natal, só assim as pessoas puderam visualizar o que verdadeiramente se passou em Belém durante o nascimento de Jesus.
Este acontecimento faz com que muitas vezes S. Francisco seja visto como o criador dos presépios, contudo, a verdade é que os presépios, tal como os conhecemos hoje, só surgiram mais tarde, três séculos depois. Embora não considerado o criador dos presépios (depende do ponto de vista), é indiscutível que o seu contributo foi importantíssimo para o crescimento do gosto pelas recriações da Natividade e, consequentemente, para o aparecimento dos presépios.
No século XV, surgem algumas representações do nascimento de Cristo, contudo, estas representações não eram modificáveis e estáticas, ao contrário dos presépios, onde as peças são independentes entre si e, desta forma, modificáveis.
É, nos finais do século XV, graças a um desejo crescente de fazer reconstruções plásticas da Natividade, que as figuras de Natal se libertam das paredes das igrejas, surgindo em pequenas figuras. Estas figuras, devido à sua plasticidade, podem ser observadas de todos os ângulos; outra característica destas é a de serem soltas, o que permite criar cenas diferentes com as mesmas figuras.
A característica mais importante de um presépio e a que mais facilmente permite distingui-lo das restantes representações da Natividade, é a sua mobilidade, o presépio é modificável, neste, com as mesmas peças, pode recriar-se diferentes episódios que marcam a época natalícia.
A criação do cenário que hoje é conhecido como presépio, provavelmente, deu-se já no século XVI. Segundo o inventário do Castelo de Piccolomini em Celano, o primeiro presépio criado num lar particular surgiu em 1567, na casa da Duquesa de Amalfi, Constanza Piccolomini.
No século XVIII, a recriação da cena do nascimento de Jesus estava completamente inserida nas tradições de Nápoles e da Península Ibérica (incluindo Portugal).
De entre os presépios mais conhecidos, é de salientar os presépios napolitanos, estes surgiram no século XVIII, nestes podiam observar-se várias cenas do quotidiano, mas o mais importante era a qualidade extraordinária das suas figuras, só a título de exemplo, os Reis Magos eram vestidos com sedas ricamente bordadas e usavam jóias muito trabalhadas.
No que se refere a Portugal, não é nenhum exagero dizer que foi aqui que foram feitos alguns dos mais belos presépios de todo o mundo. É de destacar os realizados pelos escultores e barristas Machada de Castro e António Ferreira, no século XVIII.
Os presépios portugueses constituem importantes obras de arte, grandes barristas portugueses ocuparam-se com esta arte. Nestes presépios existe uma conciliação perfeita do folclore português com as correntes estéticas.
O Livro da Fundação do Mosteiro do Salvador da Cidade de Lisboa, de 1618, de autoria de Maria Baptista, refere-se à existência de um presépio ali, antes dos meados de Quinhentos, presépio esse muito venerado.
Há notícia de pelo menos outro presépio em Lisboa, no século XVI, este foi encomendado a Bastião d’Artiaga em 1558 pela irmandade dos Livreiros de Lisboa, para a Igreja de Santa Catarina do Monte Sinai.
No século XVII, os presépios começam a espalhar-se pelo país.
O presépio barroco, no século XVIII, desenvolveu-se em Portugal no reinado de D. João V, recebendo talvez sugestão dos seus congéneres do Sul de Itália.
É neste século que se notabiliza, em Portugal, a produção de presépios pelas mãos de grandes barristas, em especial, Machado de Castro e António Ferreira.
Ora, tanto Machado Ferreira como António Ferreira, e de modo geral, todos os escultores da época, praticaram uma escultura de pequeno formato, em barro, onde a modelação impera.
Dos mais conhecidos presépios de Machado de Castro, destacam-se o da Igreja da Sé Patriarcal de Lisboa e o da Basílica da Estrela, também em Lisboa.
António Ferreira criou também importantes presépios, entre outros, foi ele o escultor do enorme presépio da Igreja Madre de Deus, em Lisboa.
Nesta época, os presépios têm uma presença constante em igrejas, conventos e lares particulares. Infelizmente, muitos desses presépios foram desmantelados, como é o caso do famoso exemplar da Cartuxa de Laveiras, mesmo assim subsistem montados bons exemplares como é o caso do da Sé (1776), o da Basílica da Estrela (1782), o da Igreja de S. José, o da Capela da Senhora do Monte e o da Igreja dos Mártires; desmontados ou apenas com figuras avulsas estão em vários museus, como o Museu da Arte Antiga e do Azulejo.
Os presépios contam com a participação de grande quantidade de pequenas figuras. Contudo, também existem com pequno número de figuras e com uma narrativa mais sintética, como o do Palácio de Mafra, este é um pequeno presépio em madeira atribuído a José de Almeida.
De entres os presépios de maiores dimensões, temos: o da Estela, com cerca de 500 figuras e o da Madre de Deus com cerca de 200. Um outro presépio de grande dimensão encontra-se no coro alto do Mosteiro de Santo André de Ponta Delgada, nos Açores, e integrado no Museu Carlos Machado.
No século XIX, o presépio começou a ser objecto da arte popular, caindo em desuso a criação de presépios monumentais.
Actualmente, o costume de armar o presépio, tanto em locais públicos como particulares, ainda se mantém em muitos países europeus. Contudo, com o surgimento da árvore da Natal, os presépios, cada vez mais, ocupam um lugar secundário nas tradições natalícias.
segunda-feira, dezembro 19, 2005
HISTÓRIA DA RÃ QUE FOI RAINHA

Era uma vez, já lá vão muitos anos, num reino distante, perdido entre montanhas e vales, um príncipe já quarentão, casou-se com uma princesa de um reino vizinho.
A princesa era uma jovem muito bonita, de longos cabelos negros, escorridos pelas costas e tinha os olhos verdes como duas esmeraldas.
Passados uns tempos, morrendo o velho rei, o jovem casal passou a reinar e foi desejado um herdeiro. Tinha de ser um rapaz, pois naquele reino, por tradição, não poderia reinar uma mulher.
(O jovem casal)Quis o destino que a jovem e formosíssima rainha tivesse uma filha e não um filho.
Também e por tradição, as madrinhas eram as fadas da floresta, que muito prontamente foram chamadas, para que fizessem desaparecer a princesinha do reino, uma vez que não poderia ser rainha.

(Estas eram as fadas madrinhas)
Depois de muito conferenciarem, as fadas decidiram levar a bebé e no lago que separava as montanhas dos dois reinos, deitaram-na dizendo que ficasse rã, até que alguém decidisse que deveria ser outra vez pessoa.
Tempos mais tarde, a jovem rainha, que passara a ter sempre uma aparência muito triste, teve um outro filho. Este veio rapaz e passaria a ser rei por morte do pai.
O rei, que envelhecera e já estava idoso, nunca permitiu que fosse revelado ao príncipe que tivera uma irmã mais velha e o jovem foi crescendo pensando que era filho único.
Estranhava a mãe ser uma rainha tão triste, mas nem ousava perguntar qual a razão de tanta tristeza.
Quando o jovem príncipe já era homenzinho e educado para ser rei, o pai morreu e ele teve de assumir as funções, mas não completamente, uma vez que era muito jovem.
O tempo foi decorrendo indiferente até que um dia, ao passear com a mãe, nos jardins do castelo, o jovem perguntou a que se devia tanta tristeza numa pessoa tão bela. A mãe encheu-se de coragem e entre suspiros e lágrimas, contou ao jovem príncipe as suas desditas.

Prontamente o jovem disse que isso não era justo e era necessário procurar a irmã, porque quem seria a rainha era ela, mesmo tendo de mudar as leis do reino.
Foram chamadas as fadas da floresta que explicaram o que haviam feito à princesa. O Príncipe mandou-as buscar a irmã, mas ficou muito surpreendido quando viu que a sua ordem não estava ser cumprida.

A causa da princesa não poder regressar, era a falta de uma das madrinhas, porque só ela sabia o resto das condições que fariam a princesa deixar de ser rã. Foi então essa fada procurada por todas as serras e florestas e quando chegou à presença do príncipe explicou que teria de ser ele a ir buscar a irmã, uma vez que a decisão de ela ser pessoa de novo era dele.
Fizeram-se os preparativos para ele ir procurar a irmã, enquanto pelas ruelas do castelo onde se cochichava a volta da princesa que ninguém conhecera.
Na carruagem puxada por muitos cavalos ia também a mãe, chorosa, mas na esperança de ser perdoada.
Chegados ao lago, o príncipe apeou-se e chamou a irmã, que saltando rã, lhe caiu nos braços mulher.

A alegria de todos foi indizível, pois jamais se vira algo assim e a princesa, tão bela quanto a mãe e tão bondosa, perdoou, pois percebeu que a força de uma tradição nem sempre é quebrada por falta de coragem e por não se saber enfrentar as mudanças.
Meses mais tarde a rainha, bela, elegante e muito distinta, tomava o seu lugar na sua majestosa cadeira, enfrentando o seu povo e fazendo-o entender como o amava.
Foram felizes, todos, dessa data em diante e jamais se tomaram medidas para que as mulheres não tivessem um mesmo lugar que os homens.
(história contada à Ritinha na madrugada de 11.12.05)
sexta-feira, dezembro 16, 2005
FALTA DE VISÃO…

Na terra de cegos, quem tem um olho é rei… só é pena não ser para ver o povo…
Também, com um só, pouco se faz… talvez nem se consiga ler bem os horóscopos semanais… nem se consiga encontrar um novo apaixonado. Às vezes nem com os dois… quanto mais com um só…
Quem tem razão é a “astróloga” Madame Fausta… Estou a seguir os seus ensinamentos à risca…
segunda-feira, dezembro 12, 2005
UM VULTO
Oportunidade é algo que surge como uma estrela cadente e cada um tem a sua, num momento que desconhece, mas que se volatiliza, se não a soubermos aproveitar… Tiveste a tua. Perdeste-a, porque a embriaguês por álcoois diferentes não deixaram nítida a imagem que tinhas em frente… eram figuras. Apenas figuras esbatidas que te faziam imaginar só…mas a verdade é que não estavas tão só como pensavas, ou como talvez quisesses estar… e as figuras esvaíram-se e passaram a ser sombras e depois do sol-posto já nem eram sombras… não eram nada!
… e ficaste com nada, porque não soubeste aproveitar o pouco que havias tido como dádiva de quem tanto te amava…
12.12.05
sábado, dezembro 10, 2005
MIL PALAVRAS…
A luminosidade desta tarde de sábado ofusca minha solidão. Muito embora esteja uma tarde cálida, estou gélida porque o frio interior não deixa que o calor do Sol me deixe mais confortável. A aragem que sopra mais parece uma canção de embalar, que me torna letárgica, até ausente… eu sou e não sou eu… sou o que o tempo permite que seja…
Ser eu e não ser eu, é algo que me faz sentir dois “eus” em mim e querer ser um e não ser nenhum… o Ser, esse que está sempre comigo, que é o “eu”, eu, esse entre um múltiplo de turbilhões, de ideias, de emoções, umas mais descoordenadas do que outras e que realmente está sempre comigo, é aquele que excluo, mesmo que temporariamente, para ser o eu que realmente não existe em mim… é a versão imposta, aquela que me faz ser a forte, a risonha, a admoestada, a que enfrenta a sociedade onde se insere e se mistura com ela, numa revolta sem dimensão. Porque a frágil, a carente, a vulnerável, essa “eu”, tem de se esconder, tem de se submeter ao seu restrito refúgio das mil palavras, onde as lágrimas são permitidas e a torrente das letras é um rio tumultuoso entre penhascos incomensuráveis…
Se penso e porque penso, escolho. Mas escolho o quê? Que decisão coerente posso tomar, a não ser a de esconder o que transborda por todos os meus poros? Que escolha fazer entre o ir e o ficar? Que posso esperar de qualquer das situações?
Ontem! O meu ontem é longínquo como distante está o cosmos… e no entanto ainda me afecta como se fora uma hora antes… e jantaste com ela… e nunca me disseram nada… e porquê? Então havia consciência de que isso me iria ferir… Passados todos estes sóis, quando já nem posso reclamar, contas-me tudo isso?... “Entrecosto grelhado!...” Creio que nunca mais voltarei a comer disso… ver-vos-ei sempre no prato… Só queria recordar o belo, o inexistente e afinal aquele “eu” só me traz o que me obriga a ser de novo forte e admitir que não sei de nada…
Se me libertasse desse tempo, do tempo passado, de todos os tempos passados, poderia talvez aclarar algumas ideias para o futuro… se chegar a haver futuro… porque se o futuro não for agora, não irá ter lugar mais adiante… não lhe vou dar essa oportunidade… voltar tudo ao mesmo… nunca! São muitos passados num passado sem tempo e isso não suportaria… afinal nunca passei da minha insignificância...
O Sol descai agora do outro lado e as sombras espreguiçam-se pelo monte acima, deixando que sinta o acentuar do frio da meia tarde… Como passou depressa esta tarde… nem deu para contar os pares de lágrimas que vão rolando pela face, num corrupio sem justificação…
Julguei que abrandaria toda esta amálgama de dores se pronunciasse o teu nome baixinho. Admiti que serias o elixir para abrandar o que me dói, mas não me ouviste, nem tão pouco admitiste que te estava a chamar… estou mesmo só…
E a tarde continua a descair. Não vejo aonde o Sol se vai deitar, mas conheço a paisagem de cor, por isso, vejo-o escorregando lentamente na linha do horizonte, depois das dunas do Guincho… aqui apenas vejo a sombra, com passadas de gigante, a beber as verduras do monte e a deixar uma crista luminosa como que uma auréola…
Com o acender dos candeeiros vou guardar o meu “eu” e deixar que o meu “eu” retorne às rotinas do habitual, entre suspiros de revolta e de aceitação, porque mais um dia vai morrer e com ele mais um pouco de mim se esvai…
10.12.05
quinta-feira, dezembro 08, 2005
RABISCOS NUMA FOLHA SOLTA

Bela acabou de se matar. É assim que começa o último livro que me ofereceste. É todo o historial de vida, morte e pós esta, de Florbela Espanca. É muito bonito, está muito bem escrito e se escrevesses uma dedicatória, possivelmente, dirias que são talhadas de vida de alguém preterido pelo amor e com uma mente tão perturbada como a dela…eu!
Semelhanças, poucas. Apenas o sentir em palavras, o que a alma deixa transvazar, depois da solidão e do inconformismo de não se sentir amada. Apenas a não coragem de sentir o prazer que pode dar um desvio na linha traçada, em uma qualquer cama, rugindo de satisfação, para abafar os urros que o amor poderia dar, se o tivesse encontrado…
Semelhanças…nenhumas, diria mesmo…só a de vontade de morrer, de me auto liquidar, para não sentir o que sinto, quando sinto que há um desmedido ódio contra o que a Natureza deixou para me aniquilar… pretextos, análises exacerbadas de moralismos inexistentes, sobretudo ao saber-te na boca de uns lábios carnudos e desmedidamente acutilantes, até ao desvario do prazer… são os gomos de uma laranja… que dizes doce, mas que me azedou o espírito e que ao degluti-la me deixou enfastiada, sem que te desses ao trabalho de me observar… e quantas laranjas não vais tragando, sem que me peças para provar… mas do suco que sobrar, com o veneno abençoado, vais um dia recordar, que mesmo com esse gosto, jamais deixei de te amar.
A grande morte, como escreveu o autor do livro sobre a Bela, será também a minha. Vão ser necessários, não três anos, mas uma vida inteira para dissecar os meus escritos, escritos de uma morte lenta, de uma morte que se foi processando ao longo de uma inexistência…
Para a minha amiga, que não soube esperar por mim, para lhe contar o como se iria desenrolar o resto dos meus dias e para ele, o ele que sem ser, sempre foi, não poderei deixar mais nada senão o sopro do último segredo que vou levar comigo – o de amar sem um amor…
Ontem passou mais um ano sobre o suicídio de Florbela, aos trinta e seis anos. Ontem, sete de Dezembro, fez um ano e sete meses que tu tomaste a tua punção aniquiladora… e tu, a vinte e sete completarias mais um aniversário, não fora a doença… poderias viver… Eu! Fui ficando, escrevendo, procurando até que a morte nos separe…
08.12.05
sábado, dezembro 03, 2005
SÓ NO DESERTO

Perdida neste deserto, solitária
Cheia de espinhos e dores
Sou planta, não alimária,
Mesmo assim, sofro de amores…
Sou um cacto neste deserto
À procura dos teus sabores
Mas sem água por perto…
Apenas vivo de amores…
E no deserto arenoso, solitário,
Agarro-me a um amor imaginário
Porque de verdade só há deserto…
Sem ramos, mas de bicos afiados,
Ainda espero abraços apertados,
Que sejam do areal que tenho perto…
03.12.05
quinta-feira, dezembro 01, 2005
IDIOTA!

Fica-me bem a designação. É exactamente como me sinto – uma perfeita idiota.
Gostar muito! Amar! Que idiotice!
Não tenho sido senão um palhaço, um robot animado para motivo de chacota.
Sonhar com sentimentos que há muito deixaram de fazer parte do teu mundo, não passou de uma idiotice. Apenas existem os que te fazem vibrar e nesses nunca fui incluída. Idiota! Pensaste que ias mudar o que já deu todas as voltas e volta ao ponto de partida.
Idiota! Como foi possível imaginares que algo ia mudar e que finalmente saberias o que tanto desejavas saber?
Idiota! Ouviste o que possivelmente não desejarias ouvir, sobretudo de quem o ouviste. E que vais fazer, idiota? Vais ter coragem? É desta vez que não vais sobrar, nem para recordação?
Idiota! Mil vezes idiota! Admitiste que poderia ser verdade! Mas enganaste-te. Idiota!
Apenas fui idiota!
segunda-feira, novembro 28, 2005
DESDE SEMPRE

Desde sempre foi para ti a minha poesia.
Desde sempre, meus tempos te dediquei.
Desde sempre, quando escrevia, apenas dizia
Que todas as palavras eram do quanto te amei…
Desde sempre, desde que te amei, eu sabia…
Desde sempre soube que foi um mito que amei.
Desde sempre senti que era de amor que sofria
E sem calar, toda a minha entrega calei…
O teu esverdeado, quente e fugidio olhar
Que nunca foi mais do que um breve encantar,
Me apaixonou e entristeceu até ao pranto…
De não sei onde, hás-de sentir este amar,
Porque de longes, minha ternura vais recordar
Pois não creio que te tenham amado tanto…
26.11.05
TUDO TEM SOLUÇÃO…

Depois de ter estado uma boas semanas com invasão de vírus, bactérias, espiões e outras coisas mais no meu computador (mesmo tendo o dito com bom acompanhamento técnico), isto sem contar com a neurose aguda que arranjei, decidi não olhar para os lados e fui comprar outro… Claro que nem olhei, porque se olhasse teria de fazer contas e isso era mesmo muito mau… acabava aumentando o estado de angústia e a escrita desenfreada em papelinhos por tudo quanto é lado…choro despropositado, saudade da saudade… desejo do absurdo…enfim estava a entrar em completo desvairamento… Espero que tudo volte a estar sob controlo…
28.11.05
domingo, novembro 13, 2005
O LEILÃO

Uma sala grande, mesas e paredes a imitar um palco. Luzes a incidirem nos materiais a apresentar. Uma mesa corrida ao meio com três cadeiras onde se sentavam dois juízes de arte, ladeando o leiloeiro, aliás, de renome. Em pé, à esquerda da mesa, o pregoeiro.
O leilão começou!
As peças eram antigas, belas, bem cuidadas e até valiosas para um qualquer coleccionador interessado em aumentar o seu património artístico.
Um foco de luz arroxeada direccionado para a silhueta da estatueta colocada a um canto da mesa, fê-la sentir o centro das atenções, logo que todos os presentes se sentaram pela sala.
Ao fundo, numa das últimas cadeiras, aquele homem, nem jovem, nem velho, fitou a estatueta desde o primeiro minuto. Li-lhe o pensamento: “Vai ser minha e render bem!”…
De cada martelada, estremecia toda, cada vez mais arroxeada e estatueta, que, sem despregar os olhos do seu admirador e até se sentindo atraída por ele, admirava o seu nervosismo e impaciência para o momento do remate.
Foi estabelecendo-se uma conivência entre a estatueta e o presumível comprador. Horas! Horas de expectativa. Horas de angústia, partilhadas num diálogo surdo, mas delicioso.
Chegou o momento!
Num profundo silêncio, apenas se ouviu o pregoeiro anunciar a base de licitação da peça.
Era alto o meu valor!
O interessado aproximou-se. Pegou-me. Passou os dedos macios por todas as curvas, deixou que os dedos corressem pela face, torneou os lábios e exclamou: “Muito interessante! Até se pode chamar de bela!”
Tinha gozado as delícias de me tocar… tinha usufruído todos os prazeres de volúpia que lhe tinham ocorrido enquanto me admirava de longe… Tinha-lhe pertencido por escassos minutos… e voltou a poisar-me na mesa.
Estranho. Estranhíssimo foi o ter-me colocado de uma tal forma que, quando virou as costas para regressar ao seu lugar, despedacei-me no chão, em mil fragmentos…
O leilão foi interrompido. O silêncio sepulcral e a excessiva claridade, encheram a sala repentinamente e um dos elementos do júri, solícito, tentou reunir os pedacitos que se espalhavam pelo chão brilhante da sala.
Foram saindo, um a um, todos os presentes. À noite, aquando da limpeza da sala, ouvi alguém exclamar que estava um coração de porcelana debaixo de uma cadeira quase ao fundo da sala…
11.11.05
sexta-feira, novembro 11, 2005
APENAS UMA FOTO!

Uma espiral de sentimentos desenrola-se em mim.
Tempestade de palavras anónimas, desregradas,
Funcionando como mola, como travão: um sem-fim…
Baralhando minhas emoções e pulsões inventadas.
As tuas palavras ditas, as indizíveis para mim,
Não passam de fragmentos de frases empolgadas
Entre quereres, ódios, raivas e pétalas de rosa carmim…
Que dás, tiras, iludes, brincas em banais jogadas…
Cara sem cara, só olhos, num turbilhão de imagens
Fingindo, iludindo, dando colorido às mensagens
E quem és? O que és? Apenas alguém que amei…
Jogador sem trunfos. Ilusionista de fantasias,
Jogando cartadas de palavras agrestes e frias,
Banalizando a amizade e o amor que te dei….
09.11.05
quarta-feira, novembro 09, 2005
HOMBRE!

La hora blanca de la alborada;
En una cualquier ciudad,
el hombre empezó su revolución.
El hombre quiere su verdad.
¿Que buscas con eso? amor?
¿Así haces revolución?
¿Que haces desnudado en la Plaza?
¿Decir que tus derechos tienen valor?…
No eres necesario sublevación…
No necesito que me convenzas...
Puedes tener un otro amor…
07.11.05
domingo, novembro 06, 2005
IMAGEM OUTONAL

Entre musgos e ramos secos, divinamente outonal
Deixei meus olhos perdidos no pensamento
E com os lábios expectantes num pulsar colossal
Esperarei por ti, toda sonho e encantamento…
Estática, como uma rocha granítica no areal,
Esqueci todas as dores e o imenso tormento
Que foi o não saber se seria para ti o ideal…
Ou fora apenas usada, para teu esquecimento.
Amar-te com tanta incerteza tem sido belo
Muito embora um desgaste, um flagelo,
Mas que me leva a amar incondicionalmente…
E ficarei assim, na expectativa constante
Até quando vieres dizer, todo vibrante,
Que sou para ti quem querias realmente…
06.11.05
sábado, novembro 05, 2005
UM POEMA DE ADEUS

Cansei-me desta solidão e vencida,
Vesti-me de negro e tão só, esperei.
Olhei sem olhar o caminho da partida,
Triste, em despedida, não mais te verei…
Meu amor traído e a ternura preterida…
Não recordarei mais o amor que te dei,
Nem imaginarei que seria a tua querida…
Uma única verdade: Só a ti eu amei…
De negro vestida, por ti vou morrer.
Cansei de uma vida de tanto sofrer…
Esperar em vão o que só foi ilusão…
E enquanto nos seus braços vais viver,
Eu triste, solitária, apenas vou morrer,
Por nunca teres entendido esta paixão…
03.11.05




















