segunda-feira, maio 22, 2006

CONVIVER


























Mais um almoço, para que alunos e professores possam conviver, longe da formalidade das aulas na Universidade Int. para a Terceira Idade.

sexta-feira, maio 19, 2006

COMUNICAÇÃO NA RELAÇÃO COM O OUTRO

A Formadora e alguns dos colegas, durante a acção de formação






Esta acção de formação, teve como principal objectivo, desenvolver aptidões para uma comunicação interpessoal eficaz e um maior controlo e recionalidade no contexto da comunicação assim como facilitar a capacidade de análise e objectividade nas atitudes perante o outro.

06 e 13 de Maio de 2006

domingo, maio 14, 2006

DESABAFO DELIRANTE


Enquanto és beleza e palavras de esplendor
Uma espiral sem fim, perdida pelo universo,
Eu sou apenas o silêncio amargo, feito dor
E deixo minhas palavras mudas neste verso…


Também somente me entrego à Natureza
Porque nela encontro um todo de liberdade
Porque em cada flor que brota só há pureza,
Aquela que procuro: chamam-na de verdade.


Também a Fé foi sopro que por mim passou
Deixando a dúvida do que não fui e do que sou
Deixando plantada no meu peito toda esta dor…


E hoje sou apenas ódio, raiva e a degradação,
Que me mortifica e desalenta, sem compaixão
Deixando-me sem forças para lutar pelo amor…

12.05.06

terça-feira, abril 25, 2006

María Zambrano El vaso de Atenas...


“La vida pide formas indefinidamente para colmarlas y salir luego de ellas, para seguir transitando, según es su esencia –agua que corre incesante. Y la forma se abre y luego se consume, según la ley de lo viviente: alzarse con la vida y abrasarse en ella como llama”

A vida pede-nos sempre formas e formas, numa mutação constante, a que chamamos as suas leis… ou a nossa autodestruição…

A música que ouvimos ontem, foi o som de um passado que sem o distinguirmos, se esfumou num breve pensamento que ao acasalar-se com outro, nos deixa miseráveis e frágeis como um vaso de cristal, muito antigo…

A forma abre-se e desabrocha num breve pestanejar, como as flores num campo bravio… e a água da nascente corre, corre e jamais é a mesma… como essa tua forma de amar… que sem ser é a crisálida feita borboleta a morrer de embriaguês, num qualquer candeeiro de uma rua solitária de uma cidade no infinito… e abraço essa forma e sou repudiada. E amo essa forma e perco-a num bocejo enfastiado, porque nada de nada tenho a ver com a forma que criaste para o teu sobreviver momentâneo…

E o mundo retém verdades que não são verdades, ilude os que pensam, que tudo vão tendo e nada têm, porque tudo é transitório excepto a miséria do dia que se esvai na solidão da incerteza…

A labareda envolve os troncos num lamber guloso, quando as florestas se incendeiam e eu não sou nenhum deles e ardo angustiada, por este fogo que me abraça e lentamente me vai consumindo até à destruição completa…

“Eu sou a chama! E sempre que olhares as labaredas a beijarem os madeiros, recordar-me-ás…” e assim sempre foi… até que outros incêndios me envolveram e deles, as cinzas hão-de ser apenas o que vai restar. O vento que a ulular deixará um cântico sinistro no ar, espalhará por toda a Terra as sobras de um grande amor…



25.04.06

DEPOIS DA NOITE…


(Comentário ao poema de GNM, meu amiguinho)

Na beleza serena de uma noite escura,
Abriste as asas e veio a inspiração,
Cheia de loucura, plena de ternura,
Encher uma vez mais, meu coração...

A brisa suave, na sua brandura,
Fez esvoaçar sonhos, com sedução
E no encantamento e na candura
Do raiar do sol, o dia foi canção…

E as estrelas voltaram a dormir,
Para brilhar esse teu belo sorrir,
Que nos enche a alma de magia…

E o pálido azul do céu matinal,
Foi o papel de fundo, sem igual,
Onde escreveste esta bela poesia…

24.04.06

domingo, abril 23, 2006




























...mais umas imagens de Domingo passado...
e votos de uma boa semana...





segunda-feira, abril 17, 2006

SEGUNDA-FEIRA


(Cenário para o programa Herman Sic)

É mesmo segunda-feira!

Há já alguns dias que não tenho escrito qualquer folha no meu diário. Falta de disposição, ausência de inspiração ou possivelmente apenas o desgaste psicológico que me deixa insegura e impaciente e assim a escrita não flúi e a ideias emaranham-se num torvelinho, como se estivesse no centro de um tornado…

Mas tenho de desabafar. A única forma é esta. Escrever até que tenha a estabilidade que tanto necessito.

Aquele olhar estende-se por aquele além e por aquele além, tenta encontrar o que não tenho, ou melhor, o que não consegue encontrar em mim… estranho. Minimamente estranho esta sensação de perda, que me invade, tal como os líquenes abraçam uma qualquer árvore muito antiga.

Há momentos em que apenas uma palavra, uma palavra de poucas letras, chegaria para nos fazer erguer e não nos deixarmos escorregar pelo precipício do nada…

Hoje é apenas segunda-feira, o dia seguinte ao Domingo de Páscoa. A tristeza invade-me, porque num domingo que deveria ser de mais satisfação, sei da morte inesperada do jovem actor da série Morangos com Açúcar. Tão jovem! num estúpido acidente de viação e fez-me voltar à memória a minha amiga Manela, que fará daqui a dias dois anos que procurou o fim da sua dor… corajosa? Desiludida? Tudo!

Mas o Domingo de Páscoa também deixou que a tristeza escorregasse até hoje, porque para além de ser um domingo em que tive a alegria de ter um grande amigo perto, a almoçar o que preparei com muito carinho, fomos depois, com mais alguns conhecidos ao Herman Sic. Mas aí, algo me doeu, doeu fundo, porque me senti só perto de tanta gente…

Observei pessoas a entrar numa fase de decrepitude, o que me entristeceu. Tocaram uns acordes de uma música que me encheu a alma de melancolia… e era tão bem cantada! Que saudade! Jamais iria tratar na minha presença, fosse quem fosse, de modo a que me sentisse a mais… mas há pessoas e pessoas… e mais ninguém sabe definir o belo sentimento que nos invade a alma, quando amamos… e será que há por aí quem saiba o que é realmente amar?...

Fruíram as horas da minha pessoa num não faz nada, mas em que o pensamento borbulhou com a água, num caldeirão, quando ferve…

O barulho, num estúdio de televisão, é por vezes, ensurdecedor… o jogo dos feixes luminosos, com mais ou menos intensidade, deixa que nos apareçam imagens fantasmagóricas, a troçar do papel de figurantes que estamos a fazer… os sons de risos e palmas são como tropel de cavalos fugindo de uma tempestade…

E aqui me vou desfazendo em enormes filas de palavras, que poderão nada significar para quem as ler, mas que são o ribombar de um trovão imenso que me sacode e me mantém insegura, como uma folha ressequida empurrada pela rua, num Inverno qualquer…

E no silêncio que agora me envolve, apenas oiço a minha própria pulsação, sem ritmo nem significado…


17.04.06

segunda-feira, abril 10, 2006

CONFRATERNIZAÇÃO ENTRE PROFESSORES E ALUNOS DA UITI















Boa disposição, mostrando que a auto-estima dos presentes é elevada; convívio agradável; almoço excelente… música e dança não faltaram…

quarta-feira, abril 05, 2006

SOMBRAS


Somos só duas sombras paralelas
Que talvez jamais se encontrarão,
Como a chama de duas velas,
Lado a lado, iludindo-nos a visão…

Somos duas imagens, talvez belas…
Dois chilreios, duas flores, uma canção
Somos duas sombras, becos, vielas
Podíamos ter sido dois num coração…

Somos um nada no todo da paisagem,
Somos apenas sombras: uma miragem…
E nada foi mais do que imaginação…

E nada mais do que as sombras do dia,
Em que fingindo ignorar, invadi a fantasia…
Para apenas em sombras, ficar a desilusão…

O2.04.06

sábado, abril 01, 2006

CONVERSA DA TARDE


No meio da mesa duas chávenas de café e dois copos de água. Nós, frente a frente, vamos deixando deslizar as palavras que preenchem o nosso diálogo – a nossa conversa da tarde.

A nossa conversa desta tarde versou sobre os temas saudade e amizade e dissecámos os antagonismos que caracterizam a rotura de uma amizade e o jogo de interesses que podem ser utilizados para a manter, manobrar ou romper com a amizade entre duas pessoas, do mesmo sexo ou de sexos opostos. Estes malabarismos designados como “amizade”, apenas o são em palavras, porque de amizade, nada têm.

A saudade veio na sequência de um livro de José Ortega y Gasset – Saudade - notas de Trabalho – em que este autor faz observações filosóficas, em breves apontamentos, sobre a saudade. Apaixona-me o tema, porque sou uma apaixonada da saudade, que, com as características que lhe imprimimos, só nós, os portugueses, mostramos como a sentimos, nesta dimensão.

Mas o tema de fundo, que por mais de uma hora debatemos, foi o da amizade, que na sequência do afastamento de alguns amigos, nos fez conjecturar e configurar situações, que podem ser causa para levar a uma rotura, senão que temporária, definitiva, entre pessoas que admitiam que jamais se iriam apartar.

A amizade, o amor ao amigo, é algo que nos faz pensar e pensar profundamente. Será que para ser amigo se tem de aceitar todos os seus desaforos? Fingir que não se percebem? E se um dia, se nunca se esclarece o que molesta a outra parte, acaba a amizade com um sofrimento desnecessário?… ser amigo é ser transparente e criticar ou apoiar, sinceramente, com o tal amor de amigo? … Será que ficou percebido o conteúdo desta conversa da tarde? Será que depois de tanto termos procurado formas de agir de verdadeiros amigos, as encontrámos? Será que como amigos não há fronteiras ou há muros intransponíveis? Será que dizer a um amigo que o amamos é mal interpretado? Será que um amigo nos ouve e comenta posteriormente com outros amigos? A Amizade tem assim tantas interrogações?

Foi maravilhoso este fim de tarde!

01.04.06

sexta-feira, março 31, 2006

A NOITE

A noite vai fria dentro das horas que vão escorrendo através dos ponteiros do relógio, sem que olhem para quem os vai vendo, passo a passo, a marcarem um tempo diferente, tão diferente daquele que queria que fosse passando.

O tempo teve o seu tempo e todo o tempo teve a sua oportunidade de ser o tempo ideal. Não esqueço o que o tempo me deu e o que me tem tirado, sem que tenha possibilidade de recuperar o que quer que seja.

As dúvidas que com o tempo foram crescendo, deixaram aumentar a angústia que me domina no tempo de agora. A incerteza que me assalta a cada instante, destroça-me a vontade, aniquila-me a auto-estima e extingue a última etapa deste tempo vazio e sem perspectivas.

Um cansaço incomensurável instalou-se no meu ser, como se tivera acabo de subir uma alta montanha… e subi realmente. Subi a montanha da desilusão… Do cume da escarpa olho para os desaforos que me atormentam, como se fossem penhascos pontiagudos, de rochas afiadas como gumes de facas… que me foram parcelando os desejos, me foram retalhando em finas tiras de desespero e de nojo pelo procedimento desajustado daqueles com quem me fui cruzando, aquando da minha passagem até aqui…

E a noite estrelada e fria vai subindo no horizonte da existência que vou vivendo sem viver, porque só se pode viver se a plenitude do todo for real e tão cansada jamais conseguirei abandonar este ninho de abutres onde me refugiei e donde queria partir…

30.03.06

sábado, março 25, 2006

FOR ME


I sent for the clowns
to make me laugh.
A smile is not enough
to whom suffers so much.

I sent for funny people
with their crazy jokes
to be happy in a circus
and to forget
and to forget more and more
laughing…

I sent for the clowns
to make me laugh,
to dry my tears
to forget my suffering
with a new paragraph…

To fall in love again
with someone else
in a crazy love
without suffering or pain.
So I sent for the clowns
to make me laugh
and not to be myself in vain…

quarta-feira, março 22, 2006

POESIA


Acontece escrever neste dia,
Acontece ser manhã de Primavera,
Acontece caminhar por Lisboa,
Acontece que há gente que morre,
Acontece que há gente sofrendo:…
Por fome,
Por doença,
Por drogas…
Por egoísmo
Por serem gente!
Acontece pensar em ti, agora.
Acontece que, mesmo assim não me apetecia.
Acontece que tudo apenas é quimera
Acontece que vou à deriva, ando à toa
Acontece que minha alma chora,
Porque há quem sofra,
Porque há quem espere,
Porque ainda há homens ignorantes,
Porque há mulheres violadas,
Porque o orgasmo não é sentido…
Acontece mesmo assim, poesia
Acontece estar perdida pela Blogosfera
Acontece ser como uma joaninha: voa…voa…
Acontece sempre o que querem, não o que queria…
Porque o Amor é magia,
Porque se perde na Montanha,
Porque prefere a juventude,
Porque apenas valho um Nada…
Porque um Nada é a Morte…

… E assim surge a poesia…
Acontece hoje, muito verdadeira,
Acontece, porque tem este dia,
Acontece porque foste um agora,
para a vida inteira…

21.03.06

domingo, março 19, 2006

NOITE


Peguei num cigarro e olhei-o nos olhos e escutei atentamente as suas palavras mágicas: “Amo-te!”

Quem diria que tão hirto, pálido e frio me segredava o que mais queria ouvir?... Sem exigências, esperou que o apertasse entre os lábios e sugasse a sua magia…

Esperou em vão. Esperou em desespero, porque apenas o ouvi repetir vezes sem conta que me amava… enquanto eu apenas o olhava, cheia de dúvidas, numa inconstância de sentimentos…

Prometi não voltar a sentir o seu prazer, deliciando-me com outros prazeres, que no oculto da noite, entre chuva violenta, punham-me na mão o segredo de algo mais belo e profundo, que o amor de um simples cigarro…

E o meu segredo não falou e disse tudo. Não tive de o entrelaçar entre os dedos numa carícia temporária… mas ficou como o mel, colado nas minhas mãos, bebendo os meus sentidos e num rumo incerto pelo mar de estrelas que iam espreitando por entre as nuvens que num emaranhado de novelos escuros, faziam com que chovesse copiosamente…

E foi a noite entrando pela madrugada, suspirando de angústia, apaixonada, falando silêncios, como se fora um lindo diálogo de amantes… ou um simples monólogo dos que estão vagueando pela solidão entre os estreitos e escuros trilhos da noite escurecida pelas bátegas da chuva que vai caindo…

18.03.06

sexta-feira, março 17, 2006

LIBERDADE, LIBERDADES E OUTRAS AMBIGUIDADES

Liberdade! Ora se a minha acaba onde começa a da pessoa mais próxima, a minha é mesmo muito diminuta. Não a minha! Mas a de todos nós. Se por exemplo nos estivermos a beijar… para não falar de mais nada, nem se vê bem onde começa uma e acaba a do outro. Lá se vai a teoria de que cada um tem o seu espaço e não deve invadir o espaço do próximo… isto se não quisermos entrar no espaço do pensamento…

Liberdades! Tretas! Onde estão elas? Mesmo com todas as liberdades vamos ficando privados disto ou daquilo…Não se deve isto, não se deve aquilo… fumar, conduzir com mais de x% de álcool no sangue, falar ao telemóvel na estrada quando se conduz, falar do que se deve silenciar, fazer compras sem fundos, fazer grandes elogios, quando estes não passam de palavras… dizer que se gosta disto ou deste, desta ou daquilo, só para fazer jeito… enfim, se especular bem sobre as nossas liberdades, vou seguramente entrar em outros campos, que muito possivelmente, não serão do agrado, como o do acto de pensar… Pensar!

Ambiguidades! Pois é! Pensar é quase uma ambiguidade. Nem convém que se pense, porque se passa a inconveniente e deixa-se de ter lugar entre os reais pensadores… esses pensaram para que se lhes siga o pensamento…

Pensar? Pois! Que conveniente é não pensar! Porquê pensar? Pensar em quê? Como direccionar a linha do pensamento? Pensar, pensando profundamente nos fundamentos que nos levam a pensar isto e aquilo, é realmente pensar e nem sempre convém à massa humana que nos rodeia, que pensemos… Assim, os pensadores dominam, mandam, constroem e destroem conceitos, preconceitos e múltiplos mecanismos de controlo, domínio, aconselhamento e direccionamento dos pensamentos dos “apenas” simples pensantes…

Inventam-se palavras, cujos significados também são inventados e os pensadores abrem assim um manancial de alternativas de domínio dos pensantes básicos, que dominados, aconselhados e direccionados, regem-se pelas teorias dominadoras do pensamento dos tais pensadores… As OPAS hostis aos pensantes básicos quando estes se querem evidenciar e admitiram ter conseguido começar a pensar…

E se pensássemos mesmo, sem a perspectiva de criticar negativamente e começássemos a construir mais, não seríamos mais positivos?

17.03.06

terça-feira, março 14, 2006

MAIS UMA FOLHA SOLTA…

Depois de me deitar muito tarde, levantei-me muito cedo, porque o peso dos pensamentos faziam com que a cabeça se afundasse pela almofada, que húmida de umas boas horas de choro, começou a ser incómoda.

Uma vez fora da cama, para ocupar o tempo que iria passar lentamente, comecei a pegar em algumas folhas soltas que se espreguiçam pela mesa de trabalho e encontrei recortes de revistas, fotocópias de trabalhos antigos misturados com outros mais recentes, da psicogerontologia, apontamento de sites a consultar e um sem número de outros escritos e notas que vou fazendo, de coisas que oiço e que dizes e que vão deixando cicatrizes de difícil cura……

Deixo-me perder entre o que não existe e que embora vá existindo, não faz sentido e às vezes leva a que um sorriso cómico-idiota me aflore aos lábios, para depois me desfazer num pranto imenso…

Deixo que a imaginação me faça sentir a tua mão tépida passando pela face, contornando a boca, afagando o pescoço e feita adolescente sensual, deixo-me arrepiar ao som da tua voz “Et je chante pour toi” … … …

Pelo que vou estudando e consolando a minha sede de saber, que parece insaciável, vou constatando que o que sinto, não está, de forma nenhuma, fora do contexto da realidade do ser humano. O tabu e o preconceito continuam a ser formas limitativas de realidades, que a natureza pôs em cada um de nós. Aliás, rodeados de limitações, resta-nos apenas ser o que querem que sejamos e não o que somos. Que frustração!

Don’t worry! Be happy!!! Dizes do além, como se realmente quisesses que assim fosse…… I’ll try. I promise……

E as horas escoam-se no dia que vai descaindo no horizonte, sem que, para além do monte, eu não veja senão o brilho dos teus olhos semi-esverdeados, quando estás feliz…

13.03.06

quarta-feira, março 01, 2006

PASSOS E PASSOS


De vagar, deixo-me vaguear neste jardim.
Meus olhos vão passeando pelas flores;
Percorro os troncos de árvores sem fim
E deixo uns suspiros aos meus amores…

Cada som ecoa uma agressão feita a mim
E o empedrado irregular causa-me dores
Interrompendo meu pensar, como chinfrim
E eu só quero silêncio para adorar as flores…

Queria verter lágrimas. Chorar de verdade.
Mas meu choro secou ante tanta crueldade…
Apenas alguém… Alguém? Eu sou ninguém…

Apenas sou a estátua de granito escuro e frio
Que olha indiferente as calmas águas do rio
Enquanto aquele amado vai rindo com desdém…

01.03.06

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

SUSPIRANDO…


A noite está tão calma e aprazível
Com estrelas cintilantes aqui e além.
Em meu redor há uma beleza indizível,
Que embora de todos, é de ninguém…

Ninguém na rua. Nem sombra visível.
Não há luar, nem aragem em vai e vem
Apenas o meu triste chorar: Incrível! …
Choro de quem tudo tendo, nada tem.

E os pássaros da noite choram comigo
Num bailado solitário, sem um amigo,
Sem o ombro acolhedor onde chorar…

E tu, amado querido lá longe, no além,
Partiste sem adeus, para seres ninguém…
Até esqueceste de deixar quem possa amar…

27.02.06

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

MANSAMENTE


Qual Adão, veio assim, tão mansamente,
Cobrindo-me como o sol, com o seu olhar,
Dizendo sem falar, muito silenciosamente,
Que apenas era a Vida: vinha para me amar…


Nada trazia. De mãos livres e carente,
Com o mais terno olhar e um doce beijar,
Apenas vinha com um desejo na mente:
Brincar com a minha ilusão de o amar…


E veio esse Adão de verdes folhas coberto,
Que se mostrou liberto e apenas é um deserto,
Ávido de dominar “Evas” em decadência…


Insaciável, sempre manifestamente carente,
Deliciosamente teatral ou às vezes ausente,
Aguça o nosso amor com toda a sua inocência…


24.02.06