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Apaguei os vestígios de toda a minha tristeza.
Sorri. Ri até, num riso aberto, de uma alegria que estava esquecida há tempo. Esqueci os receios e até acreditei. Estive feliz!
Mas como os ponteiros do relógio não param e na sua cadencia vão perseguindo o tempo que segue a seu ritmo, de repente, dei uma volta de trezentos e sessenta graus e olhando à volta nada vi, a não ser a minha imagem, de sombra, como algo fantasmagórico: eu sem dimensão, nem configuração definida…
Quando olhei a minha sombra, apenas uma mancha escura e disforme, pareceu-me ver a minha parte imaterial, desconexa, desligada dos meus sonhos, dos meus delírios…
Inundou o meu pensamento toda a dúvida anterior. Fiquei suspensa na incerteza e fui assaltada por todos os medos que me dominam e manobram, deixando-me a afundar num mar de tristeza, que é indescritível e incomensurável…
Não sou quem desejaria ser para quem sou o que apenas sou… eu. Consequentemente, apenas não passo da sombra disforme desenhada na geometria do empedrado da rua, onde só, vou caminhando, com passadas desajeitadas e irregulares; subi os não sei quantos degraus e apanhei o comboio.
Subitamente, voltaram a bailar umas atrevidas lágrimas nos meus olhos. Dei com todo o mundo que viajava na mesma carruagem do comboio a olhar-me, questionando silenciosamente sobre o que se estava a passar…
Todo o riso de um momento não passou de um efémero momento, que nada significou para além de ter feito aumentar a minha dor…
Depois, e porque há sempre um depois, vieram alguma certezas… um sim que é talvez, um talvez que se transforma em não. Eu sou o não. O sim, anda por aí reinando…
15.03.07
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